Um mês após chuvas, Juiz de Fora (MG) tem 2 mil vistorias de imóveis em áreas de risco pendentes

 

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A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, ainda tem pendentes cerca de 2.000 vistorias de imóveis em áreas de risco, um mês após as fortes chuvas que atingiram o município. A demora nas análises técnicas ocorre devido à falta de engenheiros para atuação nos diferentes bairros impactados pelos eventos extremos, que também deixaram 65 mortos e outras 2.000 edificações totalmente danificadas.

As informações foram divulgadas, nesta sexta-feira (27), pelo Ministério Público de Minas e pelas forças de segurança que atuam no Gabinete de Crise instalado em Juiz de Fora. Na ocasião, os órgãos fizeram um balanço das ações adotadas até o momento.

Reunião gabinete de crise em Juiz de Fora

Ministério Público de Minas Gerais

O promotor de Defesa do Meio Ambiente de Juiz de Fora, Alex Santiago, afirmou que existem ainda várias áreas a serem vistoriadas e que mais profissionais são necessários.

"Nós estamos com um déficit hoje de quase 2.000 vistorias, apesar de os bombeiros militares e a Defesa Civil Municipal já terem realizado quase 5.000 vistorias, mas esse número continua crescendo. A população precisa de uma resposta de segurança quanto à sua edificação. Então, a gente precisa da ajuda emergencial do Estado para que haja mais vistoriadores e também da União. E existe uma preocupação de que as pessoas que foram retiradas de área de risco com embasamento técnico não retornem para esses locais achando que estão tudo bem", afirmou.

Além dessa situação, outro problema grave é o acúmulo de milhares de resíduos retirados das áreas impactadas. O Parque de Exposições de Juiz de Fora, segundo o promotor Alex Santiago, virou um lixão.

"O Gabinete de Crise precisa resolver, com emergência, a questão dos 30.000 m³ de resíduos que estão hoje depositados no Parque de Exposições de Juiz de Fora. O local se tornou um lixão por conta dos resíduos do desastre. Eles precisam ser imediatamente destinados para aterro sanitário e ou aterros próprios de resíduos inertes. Esse montante de 30.000 m³ exige, no mínimo, 2.000 viagens de caminhão pra ter ideia do volume desses resíduos", apontou.

Os órgãos que compõem o Gabinete de Crise também reforçaram que estão acompanhando a aplicação de recursos financeiros encaminhados à prefeitura de Juiz de Fora pelo Estado e União. Até o momento, são mais de meio bilhão de reais repassados para a reconstrução da cidade.

As partes também trabalham para liberar mais rapidamente auxílios às vítimas das chuvas, já que parte da população tem reclamado da demora no cadastramento para receber os benefícios federais. O último balanço aponta mais de 5.400 pessoas cadastradas para receber os R$ 7.300 do Auxílio-Calamidade pra quem perdeu a casa.

Na próxima semana, a prefeitura e a Caixa Econômica também devem iniciar o processo do programa Compra Assistida para famílias com renda de até R$ 4.700 que perderam os imóveis.