Um mês após ataque na Rua da Consolação, vítimas buscam provas enquanto investigação não identifica suspeitos

 

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Um mês depois de dois homens terem sido esfaqueados em plena Rua da Consolação, próximo à estação do metrô Mackenzie-Higienópolis, a investigação segue sem identificar os suspeitos, nem ouvir testemunhas. Para evitar a impunidade, as próprias vítimas decidiram ir atrás de provas.

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O caso aconteceu no dia 7 de fevereiro de 2026. Lucas Osiak e o namorado, Yuri Vasconcellos, foram esfaqueados por ao menos duas pessoas. Yuri teve ferimentos na cabeça, enquanto Lucas foi esfaqueado no pescoço e no peito, com lesão inclusive no pulmão. Eles foram levados para o Hospital das Clínicas, onde Lucas chegou a ser internado na UTI devido à gravidade dos fatos.

O caso passou a ser investigado pelo 4º distrito policial, mas até este momento as pessoas que cometeram a agressão não foram identificadas. Nem a motivação.

As vítimas contam que não foram abordadas pelos criminosos antes do ataque, por isso suspeitam de homofobia e pedem que o caso seja investigado pela Decradi, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, do DHPP, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa.

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Lucas diz ter confiado muito que a polícia identificaria os suspeitos, mas decidiu ele próprio buscar imagens que ajudassem na investigação quando percebeu que o caso poderia ficar impune.

"Recentemente que descobrimos que eles não conseguiram, infelizmente, resgatar nenhuma imagem que diretamente tivesse flagrado o ataque em si. Isso nos gerou muito medo, principalmente que ficasse 'só por isso' e que, quando o caso fosse transferido para a delegacia especializada, não tivesse mais nenhuma prova guardada. Então, foi por isso que eu e meu namorado decidimos procurar por conta. Fomos atrás das imagens para ainda mantermos alguma esperança quanto a resolução do caso", disse.

Até o momento, os investigadores dizem ter tido acesso apenas a imagens que não captam a cena do crime ou mostram apenas o socorro aos dois.

Tribunal do Júri

O caso foi remetido ao Tribunal do Júri. Nesta semana, o Ministério Público de São Paulo se manifestou favoravelmente para que o caso seja encaminhado ao DHPP. Conforme o parecer ao qual a CBN teve acesso, o promotor responsável pelo caso alega que isso contribuiria com o avanço das diligências para que os autores sejam identificados.

A Secretaria de Segurança Pública informou que o 4º Distrito Policial segue empenhado em diligências para esclarecer os fatos, que segue colhendo imagens para identificar os autores.

A Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações entregando gravações do sistema de câmeras Smart Sampa. Apurei que foram entregues três imagens do dia do crime, mas ainda não é possível saber se elas mostram os suspeitos.