Um giro por Tóquio: Visitamos a primeira unidade da Soho House no Japão
Enquanto as primeiras flores das cerejeiras começavam a desabrochar nos topos das árvores que margeiam as ruas da capital japonesa, uma das novidades da temporada recebia os últimos retoques no alto de um prédio espelhado. Coincidência ou não, foi justamente no auge do florescimento que a Soho House Tóquio, 50ª unidade da rede britânica de clubes e primeira do país, abriu as portas por lá, no começo do mês passado.
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A casa tem 42 quartos divididos em cinco categorias (“cosy” a “extra large plus”), com espaços de convivência que se espalham pelos 13º e 14º andares do prédio. Neste último, a cereja do bolo do projeto: uma piscina com borda infinita revestida por azulejos vindos de Tajimi, cidade referência em cerâmica no país. “Acho que ainda não existe essa cultura em Tóquio, especialmente como construímos aqui”, diz o diretor geral da Soho House Design, Marcus Barwell, responsável pelo projeto. “Já parou para observar a vista?”
Decoração une objetos de origem europeia às tradições locais
Divulgação
A indagação diz respeito a um horizonte capaz de alcançar até o topo do Monte Fuji, avistado com a sorte dos dias solares, além do skyline local. Uma vista panorâmica a ser apreciada do rooftop onde está a piscina, mas também através das janelas dos quartos e das áreas de convivência. De todo modo, dentro e fora do prédio, tudo serve para que os visitantes jamais se esqueçam de onde estão. A decoração traz móveis garimpados ao redor do mundo para um harmonioso encontro entre tradições britânicas e japonesas. Pense em cortinas feitas com tecidos de quimonos, luminárias com cúpulas de papel (um clássico nipônico) e paredes revestidas por cerâmicas que formam padrões a partir de cores e relevos.
Os quartos, por enquanto, podem ser reservados apenas pelos sócios que pagam pelo plano de acesso a todas as unidades do clube. No Brasil, onde há uma casa em São Paulo, esta modalidade sai por R$ 22.100 por ano (12x R$ 1.841). Também é preciso ser associado para ter acesso às demais áreas do prédio.
A obra “Aizawa”, de Caroline Ricca Lee, artista sino-japonesa brasileira, faz parte do acervo do clube
Divulgação
Incrustada em Aoyama, bairro de atmosfera cool, a casa tem tudo para agradar quem busca por um Japão que pulsa criatividade. Aos adeptos das caminhadas, é possível se perder pela vizinhança, entre avenidas cercadas por prédios modernosos e vias estreitas que ainda guardam algumas charmosas casinhas e calçadas reluzentes de tão limpas. Por esses caminhos, chega-se a espaços culturais, como o Mori Art Museum, que acaba de abrir uma exposição do famoso escultor australiano Ron Mueck. Também vale uma esticada até o The National Art Center, cuja arquitetura assinada pelo célebre Kisho Kurokawa (1934–2007), um orgulho nacional, já vale a visita.
Nas paredes da Soho House, obras de arte engrossam esse caldo cultural. Uma grata surpresa é a obra “Aizawa”, de Caroline Ricca Lee, artista sino-japonesa brasileira que faz uma reflexão sobre a própria história familiar. “Sou a quarta geração de imigrantes japoneses que se mudaram para o Brasil no início do século XX como força de trabalho na lavoura”, conta. “Inspirei-me no sonho diaspórico e em todo o amor contido na figura de minhas bisavó, avó e mãe: mulheres que, mesmo em trânsito, foram meu primeiro território.” Obras de diferentes criadores estão por todos os cantos da nova unidade e, segundo a gerente de coleção de arte do grupo, Sara Terzi, trata-se de uma seleção concebida justamente “para refletir e se integrar ao amplo ecossistema de arte contemporânea de Tóquio”.
Mostra de Ron Muek, no Mori Art Museum
Divulgação
A cidade também oferece opções inspiradas quando o assunto é compras. Um passeio pela região de Ginza pode surpreender com suas lojas tradicionais, como a centenária papelaria Itoya. Uma perdição, entre postais, blocos, carimbos e canetas, distribuídos em 12 andares que renderam ao endereço o título de maior loja do tipo no país. Perto de lá estão famosos shoppings, como o Mitsukoshi e o Ginza Six, entupidos de achados “só-tem-no-Japão”.
Quando bater a fome, a capital, como se sabe, não deixa ninguém na mão. Na cozinha da Soho House, clássicos internacionais do clube se encontram com particularidades locais, como o frango karaage e o katsu sando, um sanduíche de costela de porco famoso por lá. Mas há também ótimas opções nas redondezas. Um delas é o Matoi Ginza (reservas pelo site matoi-ginza.jp), onde um balcão intimista de apenas 12 lugares convida os clientes a assistirem à produção dos pratos, com destaque para as carnes vermelhas, cujos cortes são exibidos com orgulho durante o preparo.
A papelaria Itoya, em Tóquio
Reprodução/Instagram
Outra pedida é o Hyakuyaku (thehundred.jp), que foi inaugurado em 2024 e, em menos de um ano, conquistou uma estrela Michelin. Com decoração minimalista, o restaurante fica dentro do centro de longevidade The Hundred, que une terapias holísticas, ciência e saberes milenares em torno de saúde e longevidade. O menu, portanto, segue pela mesma premissa, com ingredientes frescos e que mergulham no Japão profundo, como preparos com carne de urso.
Cores e sabores de um país que parece se esmerar em surpreender os visitantes a cada esquina.
* O repórter viajou a convite da Soho House
