Um dia após entrada em vigor de novo pacto migratório na UE, Roma tem protestos contra e a favor da imigração

Um dia após entrada em vigor de novo pacto migratório na UE, Roma tem protestos contra e a favor da imigração

Fonte: Bandeira



O sábado foi de protestos contra e a favor da imigração em Roma, com políticos de extrema direita defendendo a aprovação de uma lei para apertar a repressão contra estrangeiros e facilitar deportações. Os atos ocorrem um dia depois da entrada em vigor de um novo pacto migratório na União Europeia (UE), já alvo de críticas de organizações humanitárias.

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No ato da extrema direita, que reuniu cerca de 3 mil pessoas, o protagonista era o projeto que quer instituir o conceito da “remigração” no conjunto nacional de leis: pelo projeto, que não tem o apoio do governo da premier Giorgia Meloni ou de partidos de esquerda, as autoridades ganhariam poderes para ampliar a repressão aos imigrantes e para deportar mais rapidamente pessoas vistas como “indesejáveis”, incluindo aquelas com status legal.

— Queremos expulsar os imigrantes ilegais, expulsá-los, porque eles não deveriam estar aqui — acrescentou Luca Marsella, porta-voz do grupo neofascista Casapound, à AFP.

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Durante a marcha por ruas do centro de Roma, foram ouvidos gritos de “Duce, Duce”, apelido mais conhecido do ditador Benito Mussolini, um dos fundadores do fascismo. Em relato, o jornal Il Sole 24 Ore afirma que uma mulher fez, de sua janela, a saudação fascista, e foi recebida com aplausos pelos manifestantes. Comerciantes fecharam suas portas enquanto a multidão passava, e houve protestos de alguns transeuntes e moradores.

— Os imigrantes podem ficar se aceitarem as nossas regras de convivência; caso contrário, devem retornar aos seus países de origem — disse Susanna Rubei, dona de casa, à AFP.

Perto dali, o eurodeputado Roberto Vannacci, ex-membro da Liga (extrema direita) lançava seu novo partido, o Força Nacional, também com um discurso anti-imigração.

— Ou vocês estão conosco, os defensores da cidadania e da soberania, ou estão com Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia), Mario Draghi (ex-presidente do Conselho Europeu) e a globalização — declarou Vannacci, em um evento fechado à imprensa mas transmitido pela internet. — Na minha opinião, neste momento, ninguém deveria entrar na Itália.

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Em outra área de Roma, grupos de esquerda realizaram um ato em repúdio à ideia da “remigração”. Entre os cartazes, pedidos para a saída de Meloni do cargo e pelo fim de despejos, remoções forçadas e retomadas de posse de estrangeiros. Entre as bandeiras de sindicatos e partidos de esquerda, havia uma profusão de símbolos palestinos. Não houve relatos de confrontos entre os dois grupos de manifestantes.

Os protestos ocorreram um dia depois da entrada em vigor de um novo pacto migratório na União Europeia, que aperta as regras para a concessão de asilo, em meio a um debate crescente sobre a forma como pessoas de fora do bloco são admitidas, uma das principais bandeiras da extrema direita e que permeia o meio político em todos os países europeus. Para grupos de defesa dos direitos humanos, o plano na prática fecha as portas da UE a imigrantes que fogem de regiões em crise e que merecem ser tratados com dignidade.