Ultraprocessados são mais da metade da alimentação de americanos; veja como é no Brasil
Um grupo de cientistas de nutrição, advogados especializados em políticas alimentares e especialistas em saúde pública de divulgou, neste mês de maio, o maior relatório técnico sobre consumo de ultraprocessados nos Estados Unidos até hoje.
Existe risco do surto letal de Ebola chegar ao Brasil? Especialistas avaliam
Alimentos ultraprocessados podem estar destruindo seu cérebro, alertam cientistas
Como saber se você deve se preocupar com dor de cabeça ou não, de acordo com neurologista
Segundo o relatório, cerca de 72% dos alimentos embalados nos Estados Unidos se enquadram nessa classificação.
Além disso, o grupo de 14 especialistas descobriu que mais da metade das calorias consumidas por adultos americanos têm origem em alimentos ultraprocessados, definidos como aqueles que contêm aditivos cosméticos (como corantes, aromas e emulsificantes) ou ingredientes industriais (como proteínas isoladas e xaropes de milho).
No Brasil, esse número, embora menor, já assusta especialistas: cerca de 25% da alimentação dos brasileiros é baseada em alimentos ultraprocessados, subindo de 10%, nos anos 1980, para 23%.
O estudo, que faz parte de uma série de artigos publicados ano passado na Lancet, foi elaborado por 43 cientistas de vários países liderados por pesquisadores do Brasil, Austrália e Chile.
Carlos Augusto Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública (FSP), diz que o consumo desses alimentos está reestruturando as dietas no mundo inteiro: “Essa mudança na forma como as pessoas se alimentam é impulsionada por grandes corporações globais, que obtêm lucros extraordinários priorizando produtos ultraprocessados, apoiadas por fortes estratégias de marketing e lobby político que bloqueiam políticas públicas de promoção da alimentação adequada e saudável”.
Ambos os relatórios propõem medidas urgentes para melhorar a alimentação da população. Como exemplo, pesquisadores usaram o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Brasil, que exigirá que, até o fim de 2026, 90% dos alimentos sejam frescos ou minimamente processados.
No consenso americano, especialistas recomendam desde a criação e aumento dos impostos sobre os alimentos ultraprocessados — algo como o “imposto do pecado”, no Brasil, que afeta bebidas alcóolicas e cigarros — a restrições de aquisição em escolas e creches, campanhas de contra-marketing e rotulagem obrigatória na parte frontal da embalagem.
