UFSC lidera expedição científica para avaliar impactos do El Niño em SC

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Uma expedição científica liderada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vai investigar como o aquecimento do mar e a urbanização estão afetando a biodiversidade marinha no Litoral catarinense. Entre os dias 26 e 30 de outubro, pesquisadores de diferentes instituições brasileiras vão coletar algas na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo.

O trabalho será coordenado pelo professor Paulo Horta, da UFSC, e integra o projeto Algas & Clima, do Programa Fapesp para o Atlântico Sul e Antártica (Proasa). O objetivo é comparar as espécies encontradas atualmente com registros feitos há 40 ou 50 anos, para identificar possíveis mudanças na quantidade e na diversidade de algas.

As coletas estão previstas nas ilhas do Arvoredo, Deserta e das Galés, áreas importantes para a preservação da biodiversidade marinha de Santa Catarina. Uma das hipóteses investigadas é a chamada tropicalização da flora marinha, fenômeno em que o aumento da temperatura da água favorece espécies típicas de regiões mais quentes, alterando a composição dos ecossistemas.

Segundo o professor Paulo Horta, os resultados poderão ajudar a identificar regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas e áreas que funcionam como refúgios para espécies marinhas. A pesquisadora Mutue Toyota Fujii, do Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo, destaca que a expedição também poderá revelar espécies ainda não registradas na flora brasileira.

Os cientistas terão outro desafio: diferenciar as mudanças provocadas pelo aquecimento das variações naturais entre as estações do ano. Algumas algas aparecem com maior frequência durante os meses frios e podem não ser encontradas no verão, sem que isso signifique seu desaparecimento.

Os pesquisadores utilizarão o Veleiro Expedições Científicas Oceanográficas (ECO), da UFSC, para chegar aos pontos de coleta. Estão previstos mergulhos de até 30 metros, dependendo das condições do mar e da segurança das equipes.

As algas serão coletadas em pequenas quantidades, preservando as populações existentes. Os pesquisadores também vão explorar diferentes partes das formações rochosas para ampliar a diversidade de espécies identificadas.

Depois da coleta, as amostras serão encaminhadas para análises laboratoriais. Parte do material será utilizada em estudos de DNA, enquanto outros exemplares poderão contribuir para pesquisas químicas, incluindo a investigação de substâncias com possível atividade antiparasitária.

Os resultados poderão contribuir para o planejamento de ações de conservação e adaptação às mudanças climáticas no Litoral de Santa Catarina. Além das publicações científicas, a equipe pretende compartilhar informações sobre as condições dos ambientes marinhos com pescadores, maricultores e comunidades escolares.

A iniciativa também utilizará o aplicativo de ciência cidadã Cientistas do Mar para registrar observações e acompanhar a qualidade ambiental das regiões visitadas. Segundo os pesquisadores, as alterações na temperatura do oceano, as ondas de calor e a poluição representam pressões crescentes sobre a biodiversidade, com possíveis reflexos nas atividades de pesca e cultivo de organismos marinhos.

Publicação Original Visor Noticias visornoticias.com.br
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