UFPA homenageia Zélia Amador de Deus com plantio de baobá no Campus Guamá - QTU Questões do Universo

UFPA homenageia Zélia Amador de Deus com plantio de baobá no Campus Guamá

Fonte: Bandeira da fonte

Uma história construída ao longo de quase cinco décadas na Universidade Federal do Pará (UFPA) ganhou um novo símbolo no Campus Guamá nesta terça-feira (18).
A professora emérita Zélia Amador de Deus participou do plantio de um baobá em sua homenagem, árvore associada à ancestralidade, à resistência, à memória e à transmissão de saberes entre gerações em diferentes povos africanos.

A escolha da espécie dialoga com a trajetória de Zélia, que é professora, pesquisadora, artista e ativista e se tornou uma das principais referências do movimento negro na Amazônia.
Ao longo de sua atuação na UFPA, contribuiu para fortalecer o debate sobre racismo, desigualdades e políticas de inclusão e equidade no ensino superior.

Emocionada, Zélia destacou o significado da homenagem e a relação do baobá com a ancestralidade.
“Esse baobá representa muito para mim, porque fala de ancestralidade, de memória e daqueles que vieram antes de nós.
Estou muito emocionada e só tenho a agradecer por esta homenagem”, afirmou.

Durante a cerimônia, o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, ressaltou a contribuição da professora para as transformações vivenciadas pela Universidade nas últimas décadas.
Segundo ele, a atuação de Zélia foi marcada pela defesa de seus propósitos, mas também pela capacidade de diálogo e de reunir pessoas em torno de mudanças na instituição.

“Eu não tenho dúvida da importância da Zélia para esta universidade.
A UFPA é o que é hoje, com todos os seus desafios, também porque houve pessoas que tiveram coragem e determinação para transformá-la”, afirmou.

O reitor também destacou que o baobá poderá manter a história da professora presente no cotidiano do campus, especialmente para as novas gerações de estudantes.

“Que cada pessoa que vier estudar nesta universidade e passar por este baobá possa conhecer quem é a professora Zélia, e a importância de sua luta para que estudantes negros, indígenas, quilombolas e tantos outros possam estar hoje produzindo conhecimento e transformando a realidade dentro da UFPA”, acrescentou.

Trajetória

Ao longo de quase 50 anos de vínculo com a UFPA, Zélia Amador de Deus atuou na formação de estudantes, na produção de conhecimento e na construção de iniciativas voltadas à inclusão de grupos historicamente excluídos do ensino superior.

Sua trajetória também está relacionada ao fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da Universidade.
A atuação em diferentes espaços da instituição fez com que ela se tornasse referência para gerações de estudantes, pesquisadores e integrantes do movimento negro.

Para Gilmar Pereira da Silva, a homenagem também representa o reconhecimento da importância da professora para a história da instituição.

“Zélia é uma referência, um símbolo, uma entidade.
Mas nunca deixou de cultivar as relações humanas, a amizade e o cuidado com as pessoas.
Esta universidade tem uma dívida que não tem como pagar com você, querida Zélia.
Por isso precisamos continuar reconhecendo e homenageando sua contribuição”, concluiu.