UFMG e USP desenvolvem vacina inédita contra a malária vivax

UFMG e USP desenvolvem vacina inédita contra a malária vivax - Foto
Fonte da notícia: CBN CBN

Uma vacina 100% brasileira contra a forma de malária Plasmodium vivax, ainda sem imunizante no mundo, está autorizada a iniciar os testes em humanos. A primeira etapa dos estudos será realizada em Belo Horizonte, no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais.

O imunizante, chamado Vivaxin, está sendo desenvolvido em parceria com a USP. O coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli, explica o caráter inédito do imunizante e destaca o potencial da vacina no enfrentamento da malária no Brasil e em outros países.

"Essa é uma vacina inédita, não existe uma vacina para Plasmodium vivax no mundo. O Brasil está numa fase que se chama eliminação da malária e essa vacina pode ter um papel extremamente importante para eliminar a malária do nosso território e com isso também contribuir com a eliminação da malária na América Latina, além de ter um grande mercado na Ásia."

O estudo inicial vai avaliar segurança, possíveis reações e a capacidade de provocar resposta imunológica. Serão 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos, divididos entre grupos que receberão diferentes doses da vacina ou placebo.

O acompanhamento deve durar 360 dias. A pesquisa mineira tem relevância internacional.

O Plasmodium vivax é predominante em grande parte dos países onde a malária ocorre em parte da África e está especialmente presente nas Américas e na Ásia. O coordenador clínico e diretor científico do CTVacinas, Helton Santiago, destaca que a autorização para os testes em humanos representa um avanço importante para a ciência brasileira e também mostra o amadurecimento das pesquisas desenvolvidas no país.

"É um marco para a ciência brasileira chegar nesse ponto, porque está mostrando que estamos aprendendo, estamos amadurecendo esse percurso. Temos tido uma interação bastante intensa com a Anvisa, no sentido de permitir essas inovações brasileiras chegarem no ensaio clínico.

Estou muito feliz pelo CT Vacinas conseguir esse marco, essa conquista, que mostra o nosso amadurecimento científico." No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 118 mil casos de malária contraídos no país em 2025, e mais de 99% ocorreram na região amazônica.

O Brasil tem como meta interromper a transmissão local da malária até 2035. Por isso, uma vacina como essa, se demonstrar segurança e eficácia nas próximas fases dos estudos, poderá se somar às medidas já utilizadas, como diagnóstico, tratamento e controle do mosquito.

As vacinas contra malária atualmente recomendadas pela Organização Mundial da Saúde são direcionadas ao Plasmodium falciparum, e não ao Plasmodium vivax. A doença é transmitida pela picada de mosquitos infectados e pode provocar febre, calafrios e dor de cabeça, além de complicações mais graves.

Publicação Original CBN cbn.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →