UFC de Trump na Casa Branca termina com difamação a Michelle Obama

UFC de Trump na Casa Branca termina com difamação a Michelle Obama

Fonte: Bandeira



O chamado “UFC Freedom 250”, evento promovido como parte das comemorações pelos 250 anos da independência americana — que o presidente Donald Trump chegou a chamar de “maior show da Terra” —, terminou no domingo com uma teoria conspiratória e falsa sobre Michelle Obama. Após vencer uma luta dos pesos-pesados, o americano Josh Hokit afirmou que a ex-primeira-dama “é um homem”, repetindo uma alegação difamatória que circula há anos em grupos conservadores e nas redes sociais.

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Hokit havia derrotado o também americano Derrick Lewis no segundo round de uma luta realizada no Gramado Sul da Casa Branca, onde foi promovido o primeiro evento esportivo profissional da história da residência presidencial. Após deixar a jaula, o atleta foi até a área próxima ao octógono onde estava Trump e lhe entregou um colar. Em seguida, concedeu uma entrevista confusa, em que alternou elogios ao presidente e referências religiosas antes de encerrar a fala com o comentário misógino sobre Michelle Obama.

— Michelle Obama é um homem. Estou certo, América? — disse Hokit, provocando um meio sorriso de Trump.

A declaração foi recebida com aplausos por parte do público, mas também foi vaiada por outros setores. Na lista de convidados estava uma combinação de política, tecnologia e esportes, com o presidente da Meta, Mark Zuckerberg, assistindo às lutas em assentos próximos aos irmãos Winklevoss, investidores americanos, enquanto integrantes do Gabinete, dignitários estrangeiros e aliados políticos circulavam pela área.

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Em fevereiro, Trump publicou um vídeo conspiratório sobre as eleições que mostrava Michelle e o ex-presidente Barack Obama como macacos. Com um minuto, o vídeo promovia teorias da conspiração sobre a eleição de 2020 e incluía imagens em que os rostos dos Obama eram sobrepostos a corpos de macacos. Democratas e republicanos condenaram o post como racista, e, diante da polêmica, a Casa Branca — que inicialmente rejeitou as críticas —, removeu o conteúdo.

A administração culpou um funcionário pela postagem, mas não emitiu um pedido de desculpas.

Noite de extravagâncias

O inédito evento na Casa Branca ocorreu também no dia em que Trump celebrava seu aniversário de 80 anos. Em uma cena sem precedentes, o presidente americano saiu do Salão Oval ao lado do presidente-executivo do UFC, Dana White, e seguiu para o gigantesco octógono instalado nos jardins da residência presidencial. Trump e sua esposa, Melania Trump, acompanharam todas as lutas da primeira fila.

Antes das lutas, o republicano apareceu na histórica varanda Truman enquanto o hino nacional tocava e uma formação de 12 aviões militares sobrevoava a Casa Branca. Em seguida, o mandatário ocupou seu lugar diante do imponente octógono que recebeu o nome de “A Garra”, instalado sob uma estrutura de 28 metros de altura. Ao todo, mais de 4 mil convidados compareceram ao evento.

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Vários lutadores do UFC prestaram homenagem ao presidente após suas vitórias. Durante a luta entre o americano Sean O’Malley e o canadense Aiemann Zahabi, parte da plateia gritou frases como “O Canadá é o 51º estado”, em referência a declarações anteriores de Trump sobre o país vizinho. O’Malley venceu o combate por nocaute técnico.

Todas as sete lutas do card terminaram por nocaute ou nocaute técnico, algo inédito nos 33 anos do UFC. A principal luta da noite terminou com a vitória do americano Justin Gaethje sobre Ilia Topuria, resultado considerado uma das maiores zebras da história recente da categoria dos pesos-leves. Em outro combate, o brasileiro Diego Lopes nocauteou o americano Steve García em menos de três minutos.

Com um custo estimado em US$ 60 milhões (cerca de R$ 303 milhões), a Casa Branca garantiu que o UFC arcou com todas as despesas.

(Com AFP)