O governo ucraniano aprovou o orçamento para 2027, que prevê uma necessidade de financiamento externo de US$ 52,6 bilhões (cerca de R$ 270 bilhões) e gastos militares recordes, em meio à guerra com a Rússia, que já dura mais de quatro anos. O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular Quer morar fora? Ferramenta do GLOBO reúne informações sobre custo e qualidade de vida, salários, vistos, oportunidades e características de 36 países Brasileiro morre durante sua primeira missão na guerra na Ucrânia, e mãe desabafa: 'Eu não aceitava esse sonho dele, mas não tem volta' O país, devastado pelo conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, inicialmente utilizou suas próprias receitas para financiar os gastos com defesa. Agora, porém, depende cada vez mais do apoio estrangeiro para cobrir o déficit orçamentário. "O projeto de orçamento para 2027 foi elaborado em um momento em que a agressão russa continua e as necessidades de segurança e defesa seguem sendo cruciais", afirmou o ministro das Finanças da Ucrânia, Sergii Marchenko, em um comunicado. "Sem dúvida, esta é a prioridade número um do governo. Todos os possíveis recursos internos do Estado estão sendo canalizados para garantir que a Ucrânia possa resistir de forma eficaz ao agressor".
Guerra na Ucrânia: série de explosões atinge Kiev, e alerta aéreo é disparado Segundo o documento publicado no site do Ministério das Finanças, os US$ 52,6 bilhões (cerca de R$ 270 bilhões) de apoio internacional previstos para 2027 deverão ser obtidos por meio da União Europeia, dos países do G7, do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, do Reino Unido e de outros parceiros internacionais.
A defesa e a segurança concentram a maior parcela dos gastos, com previsão de quase US$ 110 bilhões (R$ 566 bilhões), um aumento de 11,9% em relação a 2026. A quantia corresponde a 43,8% do PIB da Ucrânia, a maior proporção desde o início da guerra e a mais elevada do mundo. Na Rússia, o gasto militar representa oficialmente 5,5% do PIB no orçamento de 2026 e deve registrar queda em 2027, embora certas despesas possam ser pouco transparentes, segundo uma análise do jornal de oposição Novaïa Gazeta. Galerias Relacionadas Alta nos preços: Trump diz que ataques ucranianos ao diesel russo agravam crise global de combustíveis O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou na terça-feira que pretende adotar medidas "difíceis e impopulares" para "sanar" o déficit orçamentário. Desde a invasão russa em 2022, a Ucrânia recebeu quase US$ 200 bilhões (R$ 1,03 trilhão) em financiamento de seus parceiros estrangeiros, além de bilhões de dólares em ajuda militar. Retomada das negociações No domingo, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que as negociações trilaterais para uma solução na guerra na Ucrânia, com mediação dos Estados Unidos, podem ser retomadas em outubro. Washington tenta reativar os esforços diplomáticos paralisados, na esperança de pôr fim a guerra. Como parte desse esforço, negociadores americanos visitaram Kiev e Moscou na semana passada, mas saíram sem avanços concretos. Até então, os esforços diplomáticos estavam estagnados, em parte devido ao envolvimento de Washington no conflito com o Irã, enquanto Moscou e Kiev intensificaram os ataques de longo alcance. O fato é que, quase 1.700 dias depois de invadir a Ucrânia, Vladimir Putin segue irredutível em suas exigências para encerrar o conflito que decidiu lançar em fevereiro de 2022. Brasileiros no front: 'Precisei pisar onde ele pisou', diz mãe que foi à Ucrânia em busca de respostas após morte de filho na guerra No sábado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que estaria disposto a se reunir com Putin durante a cúpula do G20, agendada para dezembro, em Miami. No entanto, Peskov descartou essa possibilidade, reiterando a exigência de Moscou de que qualquer reunião só poderia ocorrer na capital russa.
O Globo