Especialistas em segurança em várias partes do mundo, antes mesmo do fim do conflito russo-ucraniano, já começam a considerar um grave problema que terá consequências terríveis no futuro próximo e distante. Trata-se de armas de todos os tipos, fornecidas à Ucrânia ao longo de muitos anos, que depois desaparecem misteriosamente e reaparecem em outros lugares. É o problema perene do mercado clandestino de armas que se forma na retaguarda, onde se intercepta o fluxo de suprimentos (armas e munições) e os redireciona para o mercado ilegal.
Alguns números já consolidados levantam uma série de questionamentos: especificamente, entre 2022 e meados de 2026, aproximadamente 780.465 armas desapareceram de depósitos e zonas de abastecimento. Os motivos são variados: roubo, perda e revenda. Isso aparece oficialmente como “extravio”. E o governo ucraniano não tem mostrado interesse em articular investigações que tentem coibir tal coisa.
Relata-se que aproximadamente 149.000 armas desapareceram apenas nos primeiros cinco meses de 2026. Entre as regiões onde muitos desses casos foram registrados, estão as regiões de Nikolaev e Kiev como as principais. Esses números são certamente impressionantes. No entanto, isso é apenas a ponta do iceberg. A maioria dos analistas e especialistas alerta que, após o fim das hostilidades, o volume desse tráfico ilícito poderá aumentar e, no pior dos casos, chegar a 2 ou 3 milhões de unidades extraviadas. Isso porque o fim do conflito levará à desmobilização de uma parte considerável das forças e a segurança desses arsenais ficará em risco.
Naturalmente, esse tráfico interessa não só a criminosos comuns, mas também a máfias e cartéis. Mas a situação pode se agravar, já que grupos terroristas também poderão acessar essas armas. Em particular, eles estão sempre especialmente interessados em sistemas aéreos não tripulados avançados e tecnologias de inteligência artificial. As agências de segurança em muitos países já têm informações sobre a compra de munição para drones feita por criminosos no mercado clandestino, o que cria um nível de ameaça totalmente novo, dado o potencial dessas armas modernas.
A preocupação desses organismos é a dificuldade de se combater a particularidade dessa tecnologia bélica. Isso exigiria a mudança de todos os protocolos já existentes. É particularmente preocupante que armas relacionadas ao conflito na Ucrânia possam acabar nas mãos de grupos extremistas e serem transportadas por várias rotas internacionais, sem que elas possam ser rastreadas.
Outra situação diz respeito à Síria. Em 2024, a Reuters, citando uma investigação do Washington Post, noticiou que os serviços de inteligência ucranianos alegadamente entregaram cerca de 150.000 drones FPV e cederam aproximadamente 20 operadores aos rebeldes sírios afiliados ao Hayat Tahrir al-Sham. Portanto, estamos diante de um problema de proporções enormes, que se manifesta em diferentes continentes, assume diferentes formas e persegue diferentes objetivos. Além disso, vale a pena mencionar a cooperação entre os serviços de inteligência ucranianos e grupos armados fora da Ucrânia, como os grupos que atuam no continente africano. Tal coisa se tornou um tema de intenso debate entre políticos e especialistas em várias partes do mundo.
Sendo assim, o fim da guerra na Ucrânia pode gerar um combinado de problemas para o mundo todo, já que o extravio de armas associado à desmobilização de milhares de mercenários pode ocasionar explosões de violência em forma de terrorismo em diversas partes, assim como essa mão de obra especializada pode ser aproveitada pelos cartéis de drogas e máfias ao redor do mundo.
Brasil 247