A Ucrânia lançou neste domingo o que o prefeito de Moscou classificou como o maior ataque de drones até o momento contra a capital do país. A escalada do conflito ocorre no último dia de uma eleição parlamentar que o presidente Vladimir Putin disse que funcionará como um teste de apoio à guerra travada contra os ucranianos.
Os ataques mataram duas pessoas na região de Moscou e outras duas na parte da região ucraniana de Kherson controlada pela Rússia — incluindo um funcionário eleitoral —, segundo o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, e as autoridades eleitorais. Uma instalação na refinaria de petróleo de Moscou, que já havia sido alvo anteriormente, também foi danificada.
"O maior ataque de drones inimigos foi repelido", disse Sobyanin no Telegram. "Este ataque sem precedentes foi claramente planejado com o objetivo de perturbar as eleições. O inimigo não obteve sucesso."
Espera-se que a votação para a Duma Estatal — a primeira desde que a Rússia iniciou sua guerra em larga escala na Ucrânia, em fevereiro de 2022 — resulte na manutenção fácil da dominância do partido governista Rússia Unida em um sistema político que, segundo críticos, não tolera dissidência.
É provável que o Kremlin apresente o resultado como prova do apoio público às políticas de Putin e à guerra, que já entra em seu quinto ano sem sinais de um fim próximo.
As autoridades eleitorais afirmam que os três dias de votação transcorreram sem problemas, apesar dos ataques cibernéticos relatados no sábado.
A participação eleitoral ultrapassava 50% no início da tarde de hoje (horário de Moscou), informou a agência de notícias Interfax, citando a Comissão Eleitoral Central.
A maioria dos candidatos contrários à guerra foi impedida de concorrer. Aqueles que participaram do pleito pelo partido liberal Yabloko — que tem registrado intenções de voto de um dígito nos últimos anos, mas esperava capitalizar o desgaste da população com a guerra — disseram temer por sua liberdade, depois que tribunais impuseram longas penas de prisão a dois membros importantes do partido antes da votação, devido a comentários sobre o conflito.
Desacreditar o exército ou disseminar o que as autoridades consideram notícias falsas é passível de longas penas de prisão. Em um pequeno ato de desafio, o líder do partido Yabloko, Nikolai Rybakov, anulou ostensivamente sua cédula eleitoral, escrevendo nela o nome de seu partido e o slogan "Pela paz".
O Kremlin afirma que a unidade nacional e certa censura são necessárias durante o que chama de "operação militar especial" na Ucrânia. O governo russo retrata o conflito — o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial — como parte de uma luta existencial contra um Ocidente hostil. Moscou diz que os serviços de inteligência ucranianos e outros inimigos estão intensificando esforços para provocar agitação interna na Rússia.
Partidos de oposição permitidos podem se beneficiar
Autoridades eleitorais russas informaram ontem que o sistema de votação online em Moscou sofreu um ataque cibernético. Kiev, que suspendeu as eleições devido à lei marcial, classificou a votação russa como uma "pseudoeleição".
Na sexta-feira, Putin também acusou a Ucrânia de tentar interferir no pleito, citando um suposto ataque ucraniano que matou uma funcionária eleitoral em sua casa — na parte da região ucraniana de Zaporizhzhia controlada pela Rússia — na terça-feira. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente os detalhes do ataque, e não houve comentários por parte de Kiev.
Apesar do que especialistas consideram um resultado previsível, o think tank NEST, sediado em Berlim e cofundado pelo crítico do Kremlin Mikhail Khodorkovsky — classificado pelas autoridades russas como "agente estrangeiro" —, afirmou que a votação ainda poderia gerar momentos embaraçosos para o Kremlin em um período de tensão econômica.
"As consequências da guerra estão sendo sentidas cada vez mais dentro do país, e a ansiedade e a frustração acumuladas podem se traduzir em votos para os partidos de oposição sistêmica que o Kremlin permitiu permanecer na cédula", declarou a organização em uma nota.
O grupo apontou que o Partido Comunista e o partido Novas Pessoas poderiam atrair votos que as autoridades prefeririam ver destinados ao Rússia Unida. Ambos os partidos têm votado consistentemente em alinhamento com o Rússia Unida nas principais questões.
Em um pronunciamento televisionado antes da eleição, Putin disse à nação que a votação reforçaria o apoio às tropas russas que combatem na Ucrânia. "Sua escolha e sua vontade demonstrarão mais uma vez que milhões de pessoas apoiam nossos soldados, que somos um povo unido por valores compartilhados, pela memória histórica e pelo amor à nossa pátria, e que ninguém conseguirá nos dividir ou intimidar", afirmou.
Espera-se que os resultados iniciais comecem a surgir por volta das 18h00 GMT de domingo, com resultados mais completos disponíveis na segunda-feira.
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