TV Liberal completa 50 anos com reportagens premiadas e de repercussão nacional
No dia 27 de abril de 1976, a TV Liberal realizou a sua primeira transmissão. Ao longo desses 50 anos, a emissora construiu uma trajetória marcada por coberturas históricas, formação de acervo jornalístico e reconhecimento público, consolidando uma relação de proximidade com o público e compromisso com a informação. Essa atuação também levou o grupo a conquistas relevantes em premiações nacionais.
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Uma dessas conquistas foi no II Prêmio Ampla de Jornalismo, promovido pela Ampla Amazônia. Na categoria Nacional, o primeiro lugar foi concedido à reportagem “Projeto recupera manguezais na Amazônia”, produzida pela jornalista Jalília Messias e exibida no Jornal Nacional.
A premiação teve como foco soluções para desafios climáticos, destacando iniciativas que apresentam caminhos diante de um cenário frequentemente associado a impactos negativos. A reportagem abordou ações de recuperação de manguezais na Amazônia, evidenciando resultados práticos e iniciativas de regeneração ambiental.
Conexão com comunidades locais
Entre os pontos destacados na produção está a conexão com comunidades locais, especialmente pescadores e catadores de caranguejo no município de Bragança, que dependem diretamente do ecossistema para subsistência. A narrativa integrou conhecimento científico e saberes tradicionais, evidenciando o papel dessas populações na preservação ambiental.
Sobre a origem da pauta, Jalília relatou que o interesse surgiu ainda no processo de produção de um especial. “Quando o produtor Vinícius Macedo me falou dessa história, meus olhos brilharam porque era uma pauta que mostrava a floresta voltando a ocupar um espaço que já tinha sido perdido”, afirmou.
Reportagem ganhou projeção nacional
Segundo ela, a equipe esteve em Bragança durante a produção do programa especial voltado à COP30, o “Horizonte Amazônia”, acompanhando o trabalho de pesquisadores em campo.
“Lá, o que mais me marcou foi ver áreas que antes estavam degradadas começando a se regenerar, com impacto direto na vida de quem depende do manguezal. Durante as gravações, ficou claro pra mim que aquela não era só uma boa pauta, era uma história que precisava ganhar destaque nacional. Por isso, sugerimos a exibição no JN, que comprou a ideia”, relatou.
Questionada sobre o reconhecimento, Jalília destacou a importância da visibilidade para iniciativas da região. “Receber o Prêmio Ampla foi um reconhecimento muito importante, claro. Mas, pra mim, o principal é saber que uma solução que nasce na Amazônia conseguiu ganhar visibilidade nacional, mostrando que a resposta para a crise climática também passa por aqui”, afirmou.
A construção da reportagem seguiu uma abordagem centrada na escuta das comunidades locais. A jornalista explicou que o processo começa pelo contato direto com quem vive no território.
“Eu parto de um princípio: ninguém cuida melhor de um território do que quem vive nele. Então, antes de pensar na estrutura da reportagem, a gente escuta. Em Bragança, isso significou dar tempo para os pescadores e catadores de caranguejo falarem, não só sobre o trabalho, mas sobre a relação deles com o manguezal. Muitas vezes, são essas falas que ajudam a redefinir o caminho da matéria”, explicou.
A participação dessas comunidades também influenciou diretamente a narrativa final da reportagem. “Na edição, essas pessoas conduziram a narrativa junto com a ciência. A escolha de incluir, por exemplo, a artesã que produz panelas de barro veio daí. A dona Nazaré nem estava na pauta inicial, a gente descobriu a história dela durante a gravação. E ela acabou sendo essencial pra mostrar que o manguezal preservado também sustenta cultura, renda e identidade”, relatou.
Trajetória e transformação no jornalismo
Ao refletir sobre sua trajetória, Jalília Messias comparou diferentes momentos da carreira, destacando mudanças na forma de fazer jornalismo ao longo dos 24 anos na emissora.
“A repórter de 2002 estava muito focada em aprender a fazer bem o básico: apurar, entrar ao vivo, entregar a matéria. A de hoje continua com esse compromisso, mas com uma diferença importante: entender melhor o peso das histórias que eu escolho contar”, afirmou.
Ela também destacou a ampliação do olhar ao longo dos anos, com maior atenção à complexidade das pautas. “Com o tempo, eu também fui percebendo que não basta mostrar o problema. É preciso ir além, ouvir mais vozes e, sempre que possível, apontar caminhos. A essência continua a mesma: curiosidade, atenção aos detalhes e persistência. Mas o olhar ficou mais amplo e mais responsável também”, disse.
