TV digital, TV a cabo e serviços de streaming: entenda qual transmissão possui o menor delay na Copa
A poucos dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo, muitos torcedores já estão se preparando pra evitar um dos maiores pesadelos de quem acompanha futebol pela TV: o 'spoiler' do gol vindo da casa do vizinho.
Como existem diferentes formas de transmissão, o tempo que a imagem leva para chegar ao telespectador varia bastante. Dependendo da plataforma, o atraso pode ser de vários segundos, o suficiente pra que a comemoração de quem está assistindo por outro sistema revele o lance antes que ele apareça na tela.
Para reduzir esse intervalo, muitos brasileiros estão recorrendo à antena digital, que permite assistir à TV aberta com o menor delay entre as opções disponíveis. Em meio aos preparativos para o Mundial, a TV Globo lançou a campanha "Fique Antenado", que busca ampliar o acesso dos brasileiros às antenas digitais, divulgar as vantagens do sinal aberto e orientar o público sobre a instalação.
As transmissões por TV por assinatura costumam ter um pequeno atraso adicional. Já os serviços de streaming aparecem no fim da lista, podendo registrar diferença de até 30 segundos, dependendo da conexão e da plataforma utilizada, como explica Eduardo Pouzada, professor de telecomunicações do Instituto Mauá de Tecnologia.
“Sistemas analógicos são limitados apenas pelas características físicas do meio de transmissão e, por isso, são os mais rápidos que existem. A televisão digital vem em seguida, desde que o sinal seja captado diretamente por uma antena de TV aberta. Quando falamos dos serviços de assinatura, há um atraso maior, porque eles recebem o sinal de quem está gerando o conteúdo. Por fim, os serviços de internet são os que apresentam o maior atraso de transmissão.”
Para receber o sinal digital, é necessário ter uma antena compatível, que custam a partir de R$ 30. Em aparelhos mais antigos, também pode ser necessário um conversor de sinal.
O torcedor Rodrigo Mancha resolveu investir no equipamento para não correr riscos durante os jogos da Seleção.
“É a primeira Copa que a gente lida com esse tipo de situação. E a alternativa que eu encontrei foi ter uma antena digital para cada aparelho da minha casa. Não sei se vou assistir aos jogos em casa, mas, se for o caso, vou colocar na antena digital, porque não quero perder nenhum momento de emoção.”
Se hoje a preocupação é ganhar alguns segundos para escapar dos spoilers, há quase um século o desafio era conseguir acompanhar uma partida internacional no mesmo dia em que ela acontecia.
Na Copa de 1930, disputada no Uruguai, um jornal carioca realizou uma operação considerada revolucionária. Reportagens do Diário da Noite, consultadas pela CBN na Biblioteca Nacional, mostram que o periódico recebeu informações da estreia do Brasil contra a Iugoslávia por meio de um cabo submarino operado pela empresa italiana Italcable.
Em 1930, jornal do Rio transmitiu o 1º jogo do Brasil em Copas por cabo telefônico submerso.
Acervo/ Biblioteca Nacional
Na porta do edifício, alto-falantes transmitiam as atualizações da partida para o público. Enquanto cerca de cinco mil pessoas assistiram ao jogo no estádio em Montevidéu, o jornal estimou que aproximadamente 10 mil torcedores acompanharam os lances do lado de fora da redação, no Rio de Janeiro.
Multidão na porta do prédio acompanhando a transmissão.
Acervo/ Biblioteca Nacional
O professor de telecomunicações do Instituto Mauá de Tecnologia, Eduardo Pouzada, explica que a operação foi um feito tecnológico pra época.
“Transmitir por um cabo muito, mas muito longo, era uma façanha. A instalação desse cabo não era algo simples de ser feito, mas sim um serviço profissional de longuíssima distância. Por meio dele, era possível captar um sinal a milhares de quilômetros de distância. Na década de 1930, isso era absolutamente revolucionário, porque a tecnologia no Brasil ainda estava engatinhando.”
Apesar da derrota brasileira, por 2 a 1, a estreia na Copa entrou pra história como um dos primeiros eventos esportivos internacionais acompanhados quase em tempo real pelo público brasileiro.
A primeira transmissão radiofônica de uma Copa só aconteceria em 1938. As imagens chegaram à televisão brasileira em 1958, mas as transmissões ao vivo pela TV só se tornaram possíveis em 1970, com o uso de satélites. As partidas em cores passaram a fazer parte da rotina dos brasileiros a partir do Mundial de 1974.
Arte publicada em jornal mostrando a estrutura utilizada para a transmissão.
Acervo / Biblioteca Nacional
Noventa e seis anos depois, a tecnologia mudou completamente. Mas a ansiedade do torcedor para acompanhar cada lance da Seleção o mais rápido possível continua exatamente a mesma.
