À TV argentina, Silas dispara críticas à seleção brasileira e sentencia futuro: 'Não vai ser campeã nunca mais'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Ex-jogador da seleção brasileira e técnico com passagem por clubes como Grêmio e Flamengo, Paulo Silas mostrou todo o seu pessismismo em relação ao futuro da Amarelinha. Em análise sobre o momento da equipe nacional, ele cravou que o Brasil não voltará a erguer o troféu da Copa do Mundo novamente. - O Brasil não vai ser campeão nunca mais - decretou, durante participação em um programa da ESPN Argentina. Botafogo: alvinegro recebe proposta do Tigres, do México, por Arthur Cabral Fluminense: torcedor mantém a herança familiar pelo Platense, mas não tem coração dividido na Libertadores Os argumentos de Silas são controversos. Para o técnico, há um excesso de estrangeiros no futebol brasileiro que está acabando com espaço para a revelação de jovens talentos nacionais. Ele usou o Grêmio como exemplo. - Gremio, um exemplo só. Tem 13 estrangeiros [nota da redação: na verdade, tem 11], nenhum joga na seleção de seu país como titular, e estão bloqueando o desenvolvimento dos meninos que estão para surgir. Porque está cheio de estranjeros. Podem jogar nove - afirmou o brasileiro, citando o limite de atletas de outras nacionalidades que podem ser relacionados por cada clube num jogo da Série A.

O argumento usado por Silas esbarra na comparação com a Espanha, atual campeã do mundo. Enquanto o Brasileirão conta, atualmente, com 24,8% de estrangeiros, a La Liga registra quase o dobro: 42,4%. Outro exemplo é o Barcelona. Ter quase a metade do seu elenco (48,1%) formado por estrangeiros não impediu o clube catalão de revelar o astro Lamine Yamal e nem o zagueiro Pau Cubarsí, escolhido como melhor jogador jovem da última Copa. - A Argentina está à nossa frente. Portugal está à nossa frente, sem ter ganho nada. É melhor que tenhamos pegado a Noruega (nas oitavas da Copa). Senão, teríamos pegado a Argentina. Teria sido ainda pior. Eles já nos venceram no Maracanã, não é? Na Copa América (de 2021). Eles já nos mandaram para casa com o Ruggeri quando jogamos em 90 (nas oitavas, na Itália) - continuou o brasileiro, fazendo referência a Oscar Ruggeri, ex-jogador e treinador argentino campeão do mundo em 1986, que atuou com Silas no San Lorenzo nos anos 1990. Silas evitou responsabilizar Carlo Ancelotti. E pontuou que a crise da seleção é de jogadores. E, ao ser perguntado pelo próprio Ruggeri sobre os laterais, foi ainda mais crítico: - Os jogadores de hoje nem sabem quem são seus ídolos. Jogam em qualquer lugar. Não temos mais nem 10 e nem 9 há quanto tempo? - questinou, sendo ainda mais duro ao falar dos laterais: - Ninguém mais quer se lateral. Não dá like. O técnico evitou criticar os jogadores nominalmente e encheu Vini Jr de elogios. Em sua opinião, o atacante entendeu o que é jogar num clube como o Real Madrid, o que nem todos conseguem. Ele ainda fez um contraponto com James Rodriguez, que não teve boa passagem pelo Santiago Bernabéu. Por fim, Silas ainda vinculou o enfraquecimento do futebol nacional ao fim da era João Havelange na Fifa, fazendo referência ao ex-dirigente brasileiro acusado de corrupção, suborno e desvio de dinheiro durante sua gestão à frente da entidade. Sem ele, diz o técnico, o Brasil perdeu força. - Estamos atrasados. Antes, quando Havelange era presidente da FIFA, tínhamos poder externo, tínhamos poder interno. Hoje não temos poder externo, não temos poder interno.

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