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Turquia vira o 'paraíso' de arriscadas cirurgias para o aumento de altura

 

Fonte: Bandeira



O que você arriscaria para aumentar de estatura? Infecção, danos nos nervos e perda dos movimentos nos membros inferiores são riscos que alguns homens correm ao realizar um procedimento que promete deixá-los mais altos. Atrás da promessa de obter até 15 centímetros a mais de altura, homens de diversos países, como EUA, Inglaterra, Japão e Nova Zelândia, estão indo à clínicas em Istambul (Turquia), para se submeterem à cirurgia de alongamento de pernas.

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Os membros inferiores aumentam de tamanho por meio de uma técnica cirúrgica chamada de osteogênese por distração, em que ossos de áreas como o fêmur são fragmentados, separados e fixados por hastes, que abrem espaços entre os trechos rompidos para que o vão seja preenchido por novas formações ósseas. Ao fim do procedimento, todas as rupturas devem estar restabelecidas e os membros, por sua vez, ficam maiores.

Medical Park, Dr. Yukssel Yurttas, Turkey Luxury Clinics e Wanna Be Taller são algumas das clínicas turcas em evidência como realizadoras do procedimento. Esta última (Quero Ser Mais Alto, em português), oferece três métodos para alongar as pernas. Com preços ofertados em dólar, o formato mais barato custa o equivalente a cerca de R$ 132 mil e conta com fixadores externos que podem permanecer por até três meses na perna do paciente. Já o método intermediário aplica uma haste intramedular motorizada na cirurgia, realizada pelo preço de R$ 270 mil, mais que o dobro do procedimento mais básico. E, por último, a osteogênese mais sofisticada da clínica sai por aproximadamente R$ 290 mil e instala nos ossos das pernas uma haste magnética, que pode ter o seu alongamento controlado por um controle remoto externo.

Um dos pacientes da Wanna Be Taller que optou pelo plano básico de alongamento da clínica chegou a crescer 10 centímetros após o procedimento.

Reprodução/Instagram

"Nosso paciente alcançou um notável aumento de 10 cm de altura no fêmur desde a cirurgia de alongamento dos membros," afirmou a clínica Wanna Be Taller, em uma publicação no Instagram que exibe os resultados do alongamento das pernas de um homem que foi do Reino Unido até a Turquia para aumentar de estatura. "Este resultado impressionante é um testemunho do processo cirúrgico e do período de recuperação dedicado do nosso paciente", complementou a realizadora dos procedimentos estéticos em sua postagem.

O influenciador americano Dynzell Sigers compartilhou, nos últimos anos, sua recuperação de procedimentos de alongamento de pernas nas suas redes sociais, o que lhe rendeu fama internacional e o fez adotar o apelido de "Mr. Broken Bonez" (Senhor Ossos Quebrados, em português). O homem que tinha 1,65 m passou a ter 1,83 m e, segundo ele, muito mais autoestima.

"Passei a receber muito mais atenção das mulheres, e elas chegaram a me abordar", disse Dynzell ao portal "Lad Bible".

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Apesar da satisfação demonstrada por Sigers com os resultados gerados pela cirurgia, órgãos que regem a saúde e a ortopedia em diferentes regiões do planeta demonstram preocupação com o alongamento ósseo para fins estéticos. Na China, por exemplo, o procedimento é proibido desde 2006. A decisão foi do Ministério da Saúde, que demonstrou preocupação com os efeitos colaterais que a cirurgia pode causar.

Apesar de não proibir a realização, o Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra, país de origem de muitos dos operados pela Wanna Be Taller, também acende um alerta para tais operações. O cirurgião ortopédico Tim Briggs, que compõe a diretoria do órgão, disse ao jornal "The Guardian":

"Os pacientes enfrentam meses de tratamento, que podem ser extremamente dolorosos, com possibilidade de infecção, danos nos nervos, coágulos sanguíneos e até mesmo incapacidade permanente. Qualquer pessoa que esteja considerando essa cirurgia por motivos estéticos no exterior deve pensar muito bem sobre a longa recuperação e os riscos, e eu desaconselho a realização do procedimento, a menos que esteja bem informada sobre o local onde pretende realizar o tratamento."

* Estagiária sob supervisão de Fernando Moreira

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