'Turistas do parto': paraíso tropical dos EUA no Pacífico vira 'fábrica de bebês' para casais chineses
Um paraíso tropical dos EUA no Pacífico virou uma "fábrica de bebês" para casais chineses.
A Comunidade das Ilhas Marianas do Norte, um território americano a nordeste de Guam, tem sido inundada pelos chamados "turistas de parto" desde 2009, quando o então presidente Barack Obama introduziu um programa de isenção de visto para cidadãos chineses.
Observadores da China estimam que cerca de 1.000 empresas oferecem o "turismo de parto" para as Ilhas Marianas do Norte, outros territórios ultramarinos americanos e até mesmo para o território continental dos EUA. Estima-se que 1,5 milhão de bebês nascidos em território americano estejam sendo criados na China por pais chineses que participaram da iniciativa de natalidade.
Acomodações de luxo de pacote de 'turismo de parto' nas Ilhas Marianas do Norte, dos EUA, para casais chineses
Reprodução/GlobalBaby8
"Crie lindas memórias enquanto tem um bebê americano", diz a página inicial da Global Baby 8, uma empresa de "turismo de parto" com sede em Xangai (China). As maiores ofertas são direcionadas a Saipan, a maior ilha e capital das Ilhas Marianas do Norte.
O pacote "Econômico" da Global Baby 8 começa em US$ 14 mil (R$ 73 mil) e oferecem à mãe um apartamento básico. Já o pacote "Supremo" da empresa — a partir de US$ 45 mil (R$ 235 mil) — inclui uma luxuosa casa independente, acompanhamento personalizado, três passeios de compras e lazer por semana, um passeio pela ilha de cortesia e um serviço de babá individual no pós-parto para ajudar com a cozinha, limpeza e cuidados com o bebê, além de uma festa de "aniversário" de um mês para o recém-nascido.
Pacote de 'turismo de parto' nas Ilhas Marianas do Norte, dos EUA, para casais chineses
Reprodução/MifuBaby
A modalidade chamou a atenção de parlamentares republicanos. Em carta de 9 de março a três secretários do gabinete de Trump, políticos republicanos exigiram uma prestação de contas sobre o "turismo de parto" chinês, levantando preocupações eleitorais e de segurança nacional.
"A preocupação é com essas crianças nascidas de pais chineses. Será que esses pais têm ligações com o Partido Comunista Chinês, que é um governo adversário dos EUA?", questionou Chris Chmielenski, presidente da organização sem fins lucrativos Immigration Accountability Project, ao "NY Post".
"Eles sabem que existe uma indústria que lucra muito com o turismo de parto, mas não há nenhum relatório do governo federal informando quantas pessoas nasceram como resultado disso", acrescentou.
Outra preocupação é a questão da cidadania americana que envolve o programa. Uma boa parte dessas crianças atingirá a idade de votar nesta década. Aos 21 anos, elas poderão solicitar o green card para seus pais e irmãos, que poderão então trazer outros membros da família para morar nos EUA.
Chinesa grávida em 'turismo de parto' nas Ilhas Marianas do Norte
Reprodução/GlobalBaby8
"Não se trata apenas da questão do voto, mas também das leis de imigração em cadeia", destacou Chmielenski. "Se a família pode arcar com os preços cobrados por esse esquema de turismo de parto, há uma boa chance de que também possam arcar com uma residência nos EUA. Isso é preocupante. A maioria dos cidadãos chineses ricos tende a ter conexões com o governo americano", emendou ele.
Imigração em cadeia se refere ao processo legal que permite que cidadãos americanos e residentes legais patrocinem parentes para obterem o green card. Segundo dados do Migration Policy Institute, 77% dos novos titulares de green card em 2024 entraram no país por meio de imigração em cadeia.
