Turismo estético no Brasil: mitos e verdades sobre o país líder em cirurgia plástica
O turismo estético no Brasil ainda é cercado por simplificações. A explicação mais comum para o crescimento do setor costuma apontar apenas dois fatores: preços competitivos e a cultura de valorização do corpo. Na prática, o cenário é mais complexo.
Vídeo de Marcos Mion com a filha em Nova York repercute, e web reage à semelhança: 'Sua versão feminina'
Veja: Fotos da filha de MC Guimê aos 3 meses chamam atenção pela semelhança com o pai
O país realiza mais de 3 milhões de procedimentos estéticos por ano e aparece com frequência entre os líderes mundiais em cirurgias plásticas. Dentro desse universo, uma parcela estimada entre 12% e 15% envolve pacientes estrangeiros — um indicativo de que a procura internacional deixou de ser pontual e passou a fazer parte da estrutura do mercado.
Um dos mitos mais recorrentes é o de que estrangeiros escolhem o Brasil apenas pelo custo. O médico Leandro Faustino, da Revion International Clinic — clínica inaugurada recentemente em São Paulo com foco no atendimento de pacientes internacionais — afirma que o perfil desse público mudou.
“Hoje o paciente internacional não decide apenas pelo preço. Ele compara protocolos de segurança, certificações hospitalares, previsibilidade da agenda e organização do pós-operatório. A decisão é cada vez mais técnica”, diz.
Segundo ele, o planejamento envolve inclusive a logística de retorno ao país de origem, o que exige uma estrutura de atendimento mais organizada e acompanhamento cuidadoso após a cirurgia.
Outro equívoco frequente é a ideia de que o padrão estético brasileiro favorece resultados artificiais. A médica Ana Penha Ofranti, que também integra a equipe da Revion, avalia que o mercado passa por um movimento de mudança.
“A paciente busca naturalidade. O foco deixou de ser uma transformação radical e passou a ser harmonia e preservação da identidade”, afirma.
Para ela, parte da procura internacional está ligada justamente à reputação de resultados mais equilibrados e personalizados.
Também é comum a percepção de que o turismo estético beneficia apenas clínicas e profissionais da área médica. Na prática, o impacto econômico se espalha por outros setores. O gasto médio de um paciente internacional inclui hospedagem, transporte e serviços complementares, movimentando hotelaria, logística e atendimento especializado — principalmente em grandes centros urbanos como São Paulo, onde se concentram hospitais de alta complexidade e clínicas voltadas ao público estrangeiro.
Há ainda a ideia de que o setor opera de forma improvisada. No entanto, o Brasil reúne um dos maiores contingentes de cirurgiões plásticos do mundo, o que ajuda a absorver a demanda internacional sem comprometer o atendimento doméstico. Essa escala profissional contribui para manter o país entre os destinos mais procurados por quem busca procedimentos estéticos.
Entre mitos e verdades, o turismo estético brasileiro revela um mercado que evoluiu além da reputação cultural construída ao longo das últimas décadas. O crescimento do setor não se apoia apenas em preço ou visibilidade midiática, mas em estrutura médica, organização do atendimento e consolidação internacional.
