Tunisianos realizam maior protesto em anos contra o presidente Kais Saied

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Fonte da notícia: Valor Valor

Milhares de tunisianos participaram, neste sábado (17), em Túnis, capital do país, do maior protesto em anos contra o presidente Kais Saied. Os manifestantes o acusam de enfraquecer a democracia e de conduzir mal a economia, em um desafio crescente a seu governo.

A manifestação, liderada pela principal central sindical do país, a UGTT, e por organizações da sociedade civil, ocorre enquanto a Tunísia enfrenta uma crise econômica, a deterioração dos serviços públicos, cortes recorrentes no fornecimento de água e energia e escassez de medicamentos e outros produtos essenciais.

Eleito em 2019, Saied concentrou amplos poderes em 2021 e 2022, dissolvendo o Parlamento, destituindo dezenas de juízes e governando por decreto, medidas que os opositores classificaram como um golpe. Ele foi reeleito para um segundo mandato em 2024.

Organizações de direitos humanos afirmam que ele intensificou a repressão à sociedade civil, a jornalistas e a figuras da oposição. Saied rejeita essas acusações, diz não ser um ditador e acusa seus adversários de provocar crises econômicas para alimentar a agitação social.

Em uma rara demonstração de unidade, partidos de oposição de diferentes correntes políticas se juntaram a advogados, médicos, jornalistas, desempregados e organizações da sociedade civil em uma marcha pela Avenida Habib Bourguiba, um dos principais palcos dos protestos de 2011 que ajudaram a desencadear os levantes da Primavera Árabe.

O protesto representa um desafio significativo para Saied, após anos de divisões que enfraqueceram a capacidade da oposição de mobilizar grandes multidões.

“O silêncio não será mais aceitável (...) Não se pode construir um Estado concentrando todos os poderes nas mãos de uma única pessoa”, afirmou Slah Eddine Salmi, líder da UGTT, durante o ato.

Centenas de policiais foram mobilizados em toda a capital.

Os manifestantes gritavam: “Sem medo, o poder pertence ao povo” e “As prisões estão cheias, o povo está com fome”. Também retomaram o lema emblemático do levante de 2011, que na Tunísia foi marcadamente pacífico: “O povo quer a queda do regime”.

Eles pediram a libertação de críticos de Saied e exigiram o fim do que descreveram como ataques aos direitos sindicais. Alguns carregavam faixas que expressavam frustração com o desemprego e a poluição.

“Basta! O país está desmoronando. Sofremos com cortes de energia e água e com uma crise atrás da outra”, disse Yassine Gharseli, manifestante de Sfax, a cerca de 250 quilômetros ao sul de Túnis. “Vim de Sfax para defender minha liberdade e não vou desistir, mesmo que me torne a última voz do país.”

Manifestantes entoam críticas ao governo de Kais Saied, na Tunísia Reuters/Zoubeir Souissi Ato contra presidente tunisiano foi liderado por organização sindical Reuters/Zoubeir Souissi

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