'Tudo o que é bom dura pouco. Queria que tivesse durado mais', lamenta pai do menino morto em atropelamento na Tijuca

 

Fonte:


O humorista Vinicius Antunes, pai de Francisco Farias Antunes, de 9 anos, lamentou a perda precoce do filho e cobrou mais estrutura para a cidade ao se despedir do menino, que foi velado desde cedo e sepultado no final da manhã desta quarta-feira, no Cemitério da Penitência, no Caju, na Zona Norte do Rio. O menino morreu em um acidente com a mãe, Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, que foi velada na capela vizinha e também foi sepultada no mesmo cemitério, Os dois foram atropelados por um ônibus na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, também na Zona Norte. Ambos estavam em um autopropelido — uma espécie de bicicleta elétrica.

Triste estatística: Acidentes envolvendo veículos autopropelidos, como o que matou mãe e filho na Tijuca, triplicaram na cidade do Rio

Em três anos: Governo Cláudio Castro pagou R$ 17 milhões para aluguel de jatinho, com lista secreta de voos e passageiros

—Tudo o que é bom dura pouco. Queria que tivesse durado mais. Muito mais. Chico foi muito amado e ele me amou muito também. O que eu posso dizer é: “Pais, amem seus filhos. Digam que amam. Participem da vida de seu filhos”. Eu fiz de tudo pelo meu filho, e a tristeza maior é saber que ele estava vivendo a vida intensamente. Não havia lacunas entre a gente — disse Vinicius.

Antunes chegou ao cemitério acompanhado da esposa, Ana Souza, e logo foi cercado por amigos, que o abraçaram. O clima no local foi de muita emoção. Ele agradeceu todo o apoio que tem recebido de parentes, amigos e até de desconhecidos. Também cobrou mais estrutura para a cidade. Após o acidente, o prefeito Eduardo Cavaliere prometeu editar um decreto regulamentando o uso desse tipo de veículo no Rio.

Felicidade no bloco: Menino Francisco Antunes, morto com a mãe na Tijuca, era artista de perna de pau e brilhou no carnaval 2026

— Eu espero mais estrutura no Rio. Aqui não é uma cidade onde a gente vive, e sim uma onde a gente sobrevive. Falta segurança nas ruas, no trânsito. Tem muita coisa a melhorar — afirmou.

Vinicius Antunes ao lado da esposa, Ana Souza

Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Vinicius destacou ainda que “Chico”, como chamava carinhosamente o filho, era diabético tipo 1 e havia enfrentado desafios no tratamento da doença. Como legado, ele afirmou que será um porta-voz do menino na busca por qualidade de vida de crianças com condição como a dele, principalmente nas escolas.

— Eu vou usar meu alcance, minhas redes, para falar sobre isso. Pais, podem contar comigo. O Chico encontrou uma escola que conseguia cuidar dele, que tinha acessibilidade. Demoramos pra encontrá-la, mas conseguimos. Todas as escolas deveriam ter como cuidar de crianças como ele.

'Queremos ciclovia': Trecho de rua onde mãe e filho morreram, na Tijuca, amanhece com duas cruzes pintadas e pedido de ciclovia

Familiares também lamentaram a morte do garoto:

— É o pior momento de todos os tempos da família. Minha tia não queria enterrar a filha, o neto. Está muito difícil. Estamos aqui tentando fortalecê-la — lamenta Altanir Corrêa, primo de Emanoelle.

Representando a família, ele conta que mãe e filho estavam, provavelmente, indo para alguma das tarefas diárias de Francisco, que fazia aulas de luta e futebol. Em poucas palavras, ele pediu maior fiscalização de trânsito na cidade:

— Faltam ciclovias, mas também respeito e fiscalização no trânsito. A gente espera que as autoridades deem atenção ao caso e aumentem a fiscalização. Não estamos aqui para culpar ninguém, mas as imagens falam por si.

Confira: Veja as regras de trânsito para bicicletas elétricas, ciclomotores e autopropelidos

Primo de Emanoelle, Altanir Corrêa representou a família ao falar com a imprensa

Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Segundo ele, Emanoelle vendia pudins e tinha até uma barraca do produto na Tijuca. Na delegacia, após o crime, os parentes encontraram compras de ingredientes que ela usaria para o trabalho.

— Ela estava feliz com as vendas. Estava conseguindo fazer bom rendimento para ela e o filho. Emanoelle era ótima filha, ótima mãe e prima. Já o Francisco era muito alegre. São luzes que se apagam. Vai ser difícil esquecê-los — completa Corrêa.

Os velórios de Chico e Emanoelle acontecem simultaneamente. Enquanto o menino está na capela 2, acompanhado pelo pai e pela madrasta, a mãe Emanoelle está na 3. Em frente aos espaços, parentes e amigos se reúnem.

Mulher não era vacinada: Secretaria de Saúde confirma caso de sarampo no Rio; é o 2º registro da doença no Brasil em 2026

Denúncia de golpe

Na terça-feira, o humorista denunciou que golpistas usam o nome de Francisco para pedir dinheiro que afirmam ser para o velório da criança:

"Tem gente em grupos pedindo dinheiro como se fosse para o velório do Chico. Não estamos pedindo dinheiro nenhum para o velório dele. Por favor, não deem dinheiro para nada relativo a ele para desconhecidos. Eu sempre falo direto aqui com vocês. É bizarro eu estar num momento desses e ainda ter que passar por esse tormento".

Tragédia: vídeo flagra acidente com bicicleta elétrica que deixou mãe e filho mortos na Tijuca

Aumento de casos

Números do Corpo de Bombeiros mostram que o número de acidentes envolvendo autopropelidos na cidade mais que triplicou: foram de 65, em 2024, para 211, em 2025. Este ano, já estão em 49.

O acidente trágico reacendeu — mais uma vez — a discussão a respeito da circulação de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores. Regras existem. Elas foram estabelecidas pela Resolução 996, de junho de 2023, do Conselho Nacional de Trânsito. Apesar de terem quase três anos, ainda não foram regulamentadas por prefeituras do estado, inclusive a da capital.

Pedido por ciclovia

Na manhã de desta terça-feira, o local onde aconteceu o acidente com Chico e Emanoelle — onde não existem ciclovias — amanheceu com inscrições pintadas com tinta branca no asfalto. Em uma delas se lê: “Queremos ciclovias”. Em outro ponto, duas cruzes e a data da tragédia. À noite, o pai do menino voltou às redes sociais e escreveu: “Ele não teria morrido na Zona Sul, porque lá tem ciclovia”.

Initial plugin text