O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu neste sábado, 17, que a reportagem de capa de VEJA que traz relatos exclusivos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, com denúncias que atingem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem qualquer irregularidade e deve continuar sendo veiculada. Em sua decisão, o ministro Nunes Marques, presidente do TSE, diz que “em exame preliminar, não identifico elementos suficientes para a retirada da reportagem e das publicações que a reproduzem”. O magistrado acrescenta no texto da decisão: “Há, é certo, passagens em que a revista se expressa em voz própria, como a identificação do documentário com a obra de Oliver Stone, a legenda que associa a imagem de Paulo Okamotto ao financiamento dessa produção e a apresentação da inclusão do banco na ‘lista exaustiva’ como abertura dos cofres dos fundos de previdência. Essas passagens devem, contudo, ser examinadas no contexto da reportagem, que atribui ao banqueiro o núcleo da acusação, publica a negativa do candidato e registra ressalvas relevantes. Consideradas essas circunstâncias em conjunto com as divergências apontadas, não identifico, neste exame provisório, falsidade perceptível de plano ou descontextualização grave que justifique a retirada da matéria, nem está suficientemente demonstrado, para essa medida, que a reportagem tenha ido além do conteúdo dos relatos e documentos utilizados, apresentando conclusões sem apoio nesses elemento”.
O trabalho jornalístico de VEJA mostrou áudios do banqueiro nos quais ele admite ter enviado dinheiro a aliados do governo federal para acessar fundos de pensão de estatais, como Petrobras, Correios, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A meta era captar 10 bilhões de reais em investimentos para o banco e, com isso, repassar 1 bilhão de reais para seus “interlocutores” com o governo. Para esse acesso se concretizar, Vorcaro teria feito pago 30 milhões de reais para financiar um filme sobre o atual presidente, do cineasta americano Oliver Stone. Segundo o ex-banqueiro, o acordo incluía também um valor pago ao Instituto Lula. De acordo com a apuração da reportagem, Vorcaro teve de fato as portas abertas aos fundos de pensão por intermédio de Olavo Noletto, que era secretário executivo de Alexandre Padilha (hoje é ministro da Saúde, mas na época era ministro das Relações Institucionais).
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Os presidentes dos fundos das estatais na mira de Vorcaro eram indicados políticos do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, uma figura conhecida na época da Lava Jato exatamente por atuar com esse tipo de intermediação. Ex-presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), ele tinha influência para indicar gente oriunda dos sindicatos para posições importantes na gestão desses fundos, como os conselhos de administração.
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As informações reveladas por VEJA foram apresentadas pela defesa de Vorcaro à Procuradoria-Geral da República em uma das tentativas de construir um acordo de colaboração premiada. O órgão recusou por duas vezes a proposta de delação. Reação Desde a publicação da reportagem, a campanha do presidente Lula, seus aliados políticos e seus apoiadores nas redes sociais passaram a atacar VEJA, questionando a veracidade e a integridade do material revelado na publicação. Em um dos textos publicados no site de VEJA, são listados os mitos e verdades sobre a matéria. Em outro, reforça, de forma didática, a gravidade do que foi revelado.
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Apesar disso, a Advocacia-Geral da União e a própria campanha de Lula foram ao TSE pedir direito de resposta e questionar o material publicado. Foram essas provocações à Corte eleitoral que geraram a decisão de hoje. Perícia confirma autenticidade de áudio Além da confirmação da própria defesa de Vorcaro de que a voz nos áudios era dele, VEJA contratou uma perícia, que além de ratificar a mesma coisa, atestou a inexistência de qualquer edição ou montagem em cima dos áudios. A análise foi conduzida pelo especialista Leocadio Casanova, da LC Perícias Forenses, perito com mais de duas décadas de experiência e atuação em casos criminais de alta repercussão no Brasil.
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Um deles foi a gravação do ex-presidente Michel Temer feita em 2017 por Joesley Batista, dono do grupo J&F, no encontro em que o então mandatário da República incentiva o empresário a manter o pagamento de propinas pelo silêncio de políticos investigados pela Operação Lava Jato — entre eles, o ex-deputado federal Eduardo Cunha. A atuação de Leocadio também abriu caminho para a anulação de quatro condenações injustas no notório Caso Evandro, sobre o assassinato do menino Evandro Ramos Caetano em Guaratuba, no Paraná, em 1992. Mais de vinte anos após o crime, vieram à tona gravações dos depoimentos com fortes indícios de que os policiais praticaram tortura contra os acusados para confessar um homicídio que não haviam cometido — a perícia das fitas comprovou a autenticidade dos áudios, e a Justiça invalidou as sentenças impostas aos condenados.
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Outro caso de destaque em que Leocadio Casanova atuou foi o feminicídio de Tatiane Spitzner, morta pelo marido Luís Felipe Manvailer em Guarapuava, no Paraná, em 2018. Na ocasião, a perícia atestou a veracidade das imagens de câmeras de segurança do prédio onde o casal morava, na noite do crime, que mostravam o biólogo agredindo a esposa ainda dentro do carro, na garagem, e carregando-a à força pelo estacionamento até o elevador e depois até o apartamento onde a advogada foi morta.
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