TSE invalida os 98 mil votos de Bacellar; Alerj terá nova eleição para presidente

 

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Em um ano e um mês, Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi de presidente da Assembleia Legislativa do Rio reeleito por unanimidade a cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No dia 03 de fevereiro de 2026, tornou-se o primeiro chefe do Legislativo a ser escolhido por 70 votos favoráveis e nenhum contrário.

Nesta terça (24), foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a retotalização dos quase 98 mil votos que recebeu. Um novo deputado será chamado, as bancadas dos partidos serão alteradas e a Alerj terá um novo presidente - ainda em um cenário de muita incerteza.

Entre o auge e a queda, a jornada de Bacellar parecia certa ao governo do Rio, mas foi abatida por um racha com o governador Cláudio Castro (PL) e a prisão, feita pela Polícia Federal (PF), acusado de ter vazado a operação policial que prendeu o deputado TH Joias por envolvimento com o Comando Vermelho.

Bacellar é aliado de primeira hora de Castro em uma relação que nem sempre foi simples. O deputado ascendeu politicamente ainda em seu primeiro mandato, após sua eleição, em 2018, quando foi escolhido relator do processo que levou ao impeachment de Wilson Witzel, em 2021. Se aproximou do então presidente André Ceciliano e foi ganhando a confiança dos pares.

Quando Castro assumiu o cargo definitivamente, Bacellar assumiu a secretaria de governo e passou a despachar diretamente do Palácio Guanabara, sede do Executivo, a partir de maio de 2021. Expandiu o programa Segurança Presente e passou a atender às demandas de parlamentares em suas bases eleitorais.

Ficou no cargo até abril, quando voltou para a Alerj, virou líder do governo Cláudio Castro e passou a comandar a Comissão de Constituição de Justiça na Alerj. Poderoso, passou a dar as cartas em postos estratégicos do governo: educação, Detran, Polícia Civil.

Foi, também, protagonista do rompimento definitivo de Castro e do vice, Thiago Pampolha, no começo de 2024. Quando Bacellar foi para o União Brasil, Pampolha deixou a legenda e foi para o MDB, em um movimento que desagradou Castro. O governador tirou a Secretaria de Meio Ambiente do então vice e passou a costurar a ida dele para o Tribunal de Contas do Estado.

O objetivo era claro: ao desfazer a linha sucessória, o plano era dar mais espaço a Bacellar para que ele fosse o candidato ao governo do Rio em 2026 e fosse escolhido em uma eleição indireta para estar no cargo já durante a disputa. Castro celebrou Bacellar e, durante uma viagem, abriu espaço para que ele já sentasse na cadeira de governador em junho de 2025, como mostrou a coluna. Relatou que “recebeu a missão” e que não havia mais volta no plano. Ficou só no gostinho. Terminou com o ex-aliado, cassado e inelegível.