O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cobrou as big techs e convocou reuniões após modelos de inteligência artificial (IA) recomendarem o voto em candidatos, contrariando a resolução da Corte sobre o tema.
Participaram representantes do X, da OpenAI, que mantém o ChatGPT, e da Meta, dona do Facebook e do WhatsApp.
Os encontros ocorreram na segunda-feira e na terça.
Segundo o TSE, as plataformas se comprometeram a corrigir o problema.
“A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (AEED/TSE) entrou em contato com os provedores de IA X, OpenAI e Meta no último final de semana.
Já foram realizadas algumas reuniões sobre o assunto.
As plataformas informaram ao TSE que já estão revisando as suas salvaguardas técnicas e trabalhando para corrigir as vulnerabilidades detectadas", informou o TSE em nota.
As conversas ocorreram após especialistas em direito digital e IA apontarem que, mesmo com a resolução do TSE, algumas ferramentas de inteligência artificial estavam fazendo rankings dos candidatos quando questionadas sobre o pleito de 2026.
Ao comparar planos de governo de concorrentes à Presidência, por exemplo, algumas plataformas elaboram tabelas comparativas e indicam nomes de candidatos.
Pesquisa feita em parceria entre o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS) e o Ministério Público Federal (MPF) mostrou que sete ferramentas de IA fazem ranqueamento, ordenam ou hierarquizam as candidaturas em 90% de todas as respostas fornecidas aos usuários.
O levantamento leva em consideração dados de julho, ainda na pré-campanha, e uma nova rodada de coleta de informações já está em andamento para traçar um quadro sobre o início oficial da disputa.
Divulgado na terça, o estudo monitorou como ChatGPT, Gemini, MetaAI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude respondem a dúvidas sobre a eleição.
Representantes do ITS e da Procuradoria também vão se reunir com as plataformas.
O que diz a norma do TSE
As regras sobre IA na eleição foram elaboradas pelo TSE em uma resolução publicada em março.
Segundo o documento, os sistemas de inteligência artificial não podem, nem a pedido do usuário, ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, campanhas, partidos políticos, federações ou coligações; nem emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta.
A mesma resolução é a que veda o uso de deepfakes pelas campanhas dos candidatos ao pleito de 2026.
A expectativa é que, nas próximas semanas, o TSE reitere a proibição ao analisar a ação que questiona o vídeo que simula o rosto e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro declarando apoio a seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa presidencial.
O julgamento ainda não foi marcado.
