Trump volta a falar sobre um ilegal terceiro mandato nos EUA e mente de fraude eleitoral contra Biden

 

Fonte:


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma declaração ao Congresso dos EUA no tradicional discurso do Estado da União, voltou a falar sobre um terceiro mandato, algo que é ilegal para um presidente no país.

Ele afirmou que essa sua atual legislatura deveria ser a terceira, mas que 'coisas estranhas acontecem'.

Desde que retornou ao cargo no ano passado, o presidente tem repetidamente cogitado a ideia de concorrer a um terceiro mandato, apesar da 22ª Emenda da Constituição proibir que presidentes sirvam por mais de dois mandatos.

Em março, ele disse à NBC News que 'não estava brincando' sobre se candidatar em 2028, acrescentando: 'muita gente quer que eu faça isso'.

E, durante uma reunião com democratas do Congresso, bonés com a inscrição 'Trump 2028' foram colocados na mesa Resolute, afirmou o líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, em outubro.

Além disso, o republicano em diversas ocasiões reforça o argumento de que a derrota nas eleições de 2020 para o democrata Joe Biden foi uma fraude eleitoral. O caso gerou a famosa invasão de seus apoiadores ao Capitólio para impedir que o cargo fosse passado.

Mais destaques do discurso

Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.

Kenny HOLSTON / POOL / AFP

Trump atacou a Suprema Corte, em tom de ameaça mandou um recado para o Irã e reforçou a ofensiva contra os imigrantes.

Tudo isso ocorreu em uma hora e 48 minutos, na maior declaração feita neste tipo de tradição. Diante de membros do partido republicano e de opositores democratas, Trump chegou até o púlpito do Capitólio em meio a aplausos e atos de protestos.

De frente para ele estavam os juízes da Suprema Corte americana, que viram o republicano empreender um ataque contra a decisão que derrubou as tarifas impostas a outros países — incluindo o Brasil.

Trump classificou o ato como "frustrante" e, nesta terça-feira, aplicou uma nova taxa global de 10% sobre produtos importados. A economia foi o ponto central da declaração do republicano, que culpou o governo do ex-presidente Joe Biden pela inflação.

"Quando falei aqui pela última vez, há cerca de 12 meses, havia herdado um país em crise, com a economia estagnada, inflação em níveis recordes, uma fronteira totalmente aberta, sistema de recrutamento terrível para polícia e para os militares, o crime avançando, guerras, caos em todo o mundo. Mas, esta noite, depois de apenas um ano, posso dizer, com dignidade e orgulho, que conseguimos uma transformação como nunca se viu antes. É, na verdade, uma reviravolta histórica", afirmou o republicano.

No pronunciamento, Trump acusou ainda o regime iraniano de tentar desenvolver uma arma nuclear e ressaltou que jamais permitirá que o maior patrocinador do terrorismo no mundo obtenha uma.

Ainda na política internacional, comentou sobre a guerra da Rússia e Ucrânia, o cessar-fogo na Faixa de Gaza e afirmou que a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro foi uma “vitória colossal”.

"E as Forças Armadas dos Estados Unidos superaram todas as defesas [da Venezuela]. Não apenas derrotaram o inimigo, mas acabaram com o ditador criminoso Nicolás Maduro e o trouxeram aos Estados Unidos para enfrentar a justiça americana", completou.

Ao se voltar para os imigrantes, Trump acusou a comunidade somali, no estado de Minnesota — onde dois americanos foram mortos por agentes do ICE —, de envolvimento em fraudes e crimes.

As declarações geraram protestos. Minutos antes, o deputado democrata Al Green foi retirado do plenário após erguer um cartaz de protesto com a frase “negros não são macacos”. Recentemente, Trump fez uma publicação nas redes sociais com um vídeo em que Barack Obama aparecia com o rosto sobreposto a um corpo de macaco.

O discurso foi feito em meio à queda na aprovação do presidente. Aliados temem que os índices influenciem as eleições de meio de mandato.