Trump volta a dizer que acordo será assinado neste domingo, e iranianos contestam após Israel atacar Beirute:

Trump volta a dizer que acordo será assinado neste domingo, e iranianos contestam após Israel atacar Beirute: 'Não faz sentido'

Fonte: Bandeira



Donald Trump voltou a afirmar que o governo dos Estados Unidos assinará um acordo com o Irã neste domingo (14) para acabar com a guerra no Oriente Médio, e que o Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente. Mas os iranianos parecem dispostos a colocar água no chope na festa de aniversário do presidente americano, que completa 80 anos hoje. Após Israel voltar a atacar os subúrbios ao Sul de Beirute, no Líbano, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de "não respeitar compromissos".

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Em post na rede social X, Ghalibaf afirmou e que “não faz sentido” continuar as negociações de paz com os americanos após seu aliado, Israel, atacar os subúrbios ao sul de Beirute. O ataque israelense deixou três mortos, de acordo com a defesa civil libanesa.

“A agressão dos sionistas contra Dahiyeh demonstrou mais uma vez que os Estados Unidos ou não têm vontade de cumprir seus compromissos, ou não têm capacidade para fazê-lo”, escreveu. “Se vocês não têm vontade ou capacidade de cumprir seus compromissos, então não há sentido em falar sobre continuar por esse caminho”, acrescentou, em meio aos esforços em andamento para finalizar um acordo de paz entre as partes em conflito.

Em nota conjunta, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram que o exército do país efetuou ataques "no bairro de Dahiyeh, em Beirute (...) em resposta aos disparos do Hezbollah contra território israelense",. "Israel não vai tolerar nenhum ataque contra seu território", acrescenta a nota.

'Não há decisão final sobre acordo'

Antes disso, enquanto Trump prometia a assinatura do memorando entre EUA e Irã para este domingo, a agência de notícias iraniana Fars informou neste domingo que Teerã ainda não tomou uma decisão final sobre a assinatura do memorando em discussão com os Estados Unidos para encerrar a guerra no Golfo.

“A República Islâmica do Irã ainda não tomou nem anunciou sua decisão final em relação ao memorando de entendimento proposto durante as negociações”, informou a Fars, que é próxima de círculos conservadores iranianos, citando “uma fonte bem informada próxima à equipe negociadora iraniana”.

Um assessor do ministro das Relações Exteriores do Catar chegou à capital iraniana neste domingo, de acordo com a agência de notícias Tasnim para “analisar os últimos acontecimentos relacionados ao processo diplomático”.

Uma mulher passa por um painel exibindo a bandeira nacional do Irã na Praça Enghelab, em Teerã

AFP

Linha-dura não aprova texto

Após uma semana com novos ataques entre Irã Estados Unidos e Israel, que provocaram o temor de uma nova escalada regional, Washington e Teerã anunciaram avanços no texto do memorando e que um acordo estaria próximo.

Na sexta e no sábado, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador no conflito, afirmou que o memorando seria assinado por via eletrônica nas próximas 24 horas e que os detalhes seriam discutidos na próxima semana. Teerã afirmou que nada seria assinado até domingo, e no sábado foram postados vídeos em que dezenas de pessoas protestam contra o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deixando claro que a linha-dura do governo ainda não estava contente com os termos do memorando.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos atacaram o Irã e mataram o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. Teerã respondeu com bombardeios contra alvos americanos nos países do Golfo aliados de Washington e com o fechamento do Estreito de Ormuz. Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra com os ataques do Hezbollah contra Israel, que respondeu com uma ofensiva militar que já provocou mais de 3.700 mortes, segundo o governo libanês.

Líbano e projeto nuclear nas negociações

Uma trégua em 8 de abril interrompeu a maior parte dos ataques diretos entre Irã e Estados Unidos, mas não incluiu Israel, nem paralisou a guerra no Líbano — o que seria uma das exigências de Teerã.

As negociações permanecem estagnadas em vários pontos: o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz (crucial para o comércio mundial de combustíveis e fertilizantes agrícolas), o fim das sanções ao Irã e a inclusão do Líbano no acordo de paz.

Segundo o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, o texto que está sendo negociado prevê o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova gestão do Estreito de Ormuz, controlado por Teerã desde o início da guerra.

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A agência iraniana Mehr publicou na sexta-feira um texto apresentado como um rascunho de protocolo em 14 pontos, que inclui o direito ao enriquecimento de urânio e o desbloqueio rápido de 24 bilhões de dólares de fundos iranianos congelados no exterior, uma demanda crucial do Irã, que tem sua economia asfixiada pelas sanções.

Sobre o urânio enriquecido, outro ponto das negociações, Trump afirma que os Estados Unidos vão recuperar o material "no momento oportuno". Até agora, Washington afirmava que qualquer acordo deveria conduzir ao "desmantelamento" do programa nuclear iraniano e permitir recuperar o material para destruí-lo e retirá-lo do país.

Sobre o Líbano, um funcionário de alto escalão do governo americano indicou que o país está, sim, incluído no acordo em discussão, como exigia Teerã.