Trump usa Venezuela pós-Maduro como referência ao comentar futuro do Irã, mas reconhece cenários diferentes

 

Fonte:


No Salão Oval, durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, o presidente americano, Donald Trump, comparou a guerra contra o Irã à sua operação que depôs o líder chavista Nicolás Maduro na Venezuela, onde "mantivemos o governo totalmente intacto", no início do ano. Perguntado sobre o futuro do Irã, o republicano disse que o pior cenário seria a chegada de um novo governo "tão ruim quanto o anterior", e que "a maioria das pessoas que tínhamos em mente [para comandar o país] já morreu".

Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa

'Decisão de ataque foi dos EUA': Trump diz que poder militar do Irã 'foi quase todo foi eliminado' e contradiz Rubio

De fato, em menos de dois meses, o republicano deu aval para duas ações militares contra regimes considerados algozes históricos de Washington. A primeira, em 3 de janeiro, capturou o então líder da Venezuela, Nicolás Maduro. A outra, em 28 de fevereiro, matou o então líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. No entanto, como afirmou Trump na coletiva, a situação no Irã é totalmente diferente, visto que os bombardeios americanos e israelenses mataram altos funcionários iranianos.

No último domingo, em entrevista ao New York Times, o presidente americano afirmou que o cenário na Venezuela pós-Maduro "é perfeito", com a transferência de poder para Delcy Rodríguez, que se aproximou de Washington e, sob pressão do governo Trump, cedeu o controle do petróleo venezuelano.

Initial plugin text

Ao lado de Trump no Salão Oval, estava o chanceler alemão, Friedrich Merz, que, em uma das raras intervenções na reunião, afirmou que Berlim e Washington concordam com a derrubada do regime no Irã, acrescentando que espera que o conflito "termine em breve".

Presidente dos EUA, Donald Trump, antes de reunião com o chanceler alemão, Fredrich Merz, na Casa Branca

ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Na segunda-feira, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, expressou sua "profunda preocupação" ao emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, com a guerra no Oriente Médio. Em ligação com al-Thani, Delcy defendeu a retomada das negociações entre EUA e Irã, que retaliou atacando bases americanas em diversos países do Golfo, como o Catar, um aliado histórico do chavismo na Venezuela.

"Transmiti minhas condolências e minha profunda preocupação pela perda de vidas civis em toda a região em consequência do conflito em curso", escreveu Delcy nas redes sociais. A presidente interina também manifestou ao emir sua "solidariedade diante da grave situação de instabilidade e violência" e afirmou que "somente o diálogo e a diplomacia podem abrir o caminho para a paz".

Em Qom: Prédio da Assembleia de Especialistas, órgão que escolhe o líder supremo do Irã, sofre ataque de Israel e dos EUA; veja vídeo

No Salão Oval, Trump também disse que o poderio militar iraniano "foi quase todo eliminado" após quatro dias de bombardeio, e que o grande número de mortes de figuras no alto escalão tornam difícil saber quem assumirá o poder.

— Eles não têm Marinha. Ela foi destruída. Eles não têm Força Aérea. Ela foi destruída. Eles não têm [sistemas de] detecção aérea. Os radares deles foram destruídos. E praticamente tudo foi destruído — afirmou Trump. — Estamos indo muito bem. Temos um ótimo Exército e eles estão fazendo um trabalho fantástico.

O presidente americano ainda eduziu as expectativas de apoiar nomes no exílio para um governo pós-República Islâmica, em especial o herdeiro do último xá, Reza PahlEvi, que vive nos EUA e é uma das figuras mais conhecidas da oposição aos aiatolás.

— Algumas pessoas gostam dele, e não temos pensado muito nisso. Parece-me que alguém de dentro do governo seria mais apropriado — afirmou. — Embora ele pareça uma pessoa muito simpática. [é mais provável que seja] alguém de dentro, que seja popular, se é que existe alguém assim.

(Com AFP e New York Times)