Trump sofre revés político em votação sobre tarifas impostas a produtos do Canadá

 

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As políticas tarifárias do presidente americano Donald Trump sofreram o revés político mais forte até o momento, com a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, liderada pelos republicanos, aprovando uma legislação destinada a acabar com as taxas impostas pelo presidente às importações canadenses.

A votação realizada na quarta-feira representa um aumento na pressão política para mudar o rumo da principal política econômica de Trump, a poucos meses das eleições legislativas, inclusive ao forçar republicanos de distritos competitivos afetados pelas tarifas a ponderarem quando ou se devem contrariar o presidente votando contra sua agenda.

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A votação também sinaliza uma crescente ansiedade em relação à agenda econômica da Casa Branca antes das eleições, que devem se concentrar fortemente na acessibilidade financeira. Os democratas foram rápidos em atacar os republicanos que votaram para proteger as tarifas, culpando-os por defender políticas que aumentam o custo de vida de seus eleitores.

Embora seja quase certo que Trump vetará qualquer projeto de lei que peça a revogação de sua agenda tarifária, tornando improvável que a medida se torne lei, deserções de seis republicanos, juntamente com a oposição de quase todos os democratas, ressaltam a posição cada vez mais frágil do presidente sobre a estreita maioria na Câmara.

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Os republicanos estão lutando para manter o controle tanto da Câmara quanto do Senado em novembro, uma tarefa dificultada pela queda da aprovação do presidente em pesquisas sobre economia e imigração.

Trump tem interesse pessoal em manter a maioria republicana no Congresso — isso facilita a aprovação de leis que ele favorece e protegeria seu governo de investigações do Congresso.

Os democratas superaram as expectativas em uma série de eleições nos últimos meses, incluindo a corrida para prefeito de Miami e as disputas para os governos de Nova Jersey e Virgínia. Nas últimas semanas, uma sólida cadeira republicana no Senado estadual do Texas passou para os democratas, em uma virada de 31 pontos percentuais a favor do partido.

A aprovação da medida também ocorre enquanto Trump avalia, em conversas particulares, abandonar o pacto comercial entre os EUA, o México e o Canadá (USMCA, na sigla em inglês) que ele assinou durante seu primeiro mandato, uma decisão que agravaria as tensões comerciais na América do Norte. Cerca de 80% dos produtos importados do Canadá atendem aos critérios do USMCA e estão isentos de tarifas.

Ameaça nas eleições primárias

Antes das eleições de novembro, porém, haverá uma série de primárias para a Câmara e o Senado, nas quais os eleitores decidirão quais candidatos representarão seus partidos. Trump, cujos apoios nas primárias têm grande peso, deixou claro, mesmo enquanto os votos eram contabilizados na noite de quarta-feira, que haveria consequências políticas para qualquer republicano que o contrariasse nessa questão.

O fato de a votação de quarta-feira ter ocorrido já representou um revés para o presidente da Câmara, Mike Johnson, um importante aliado de Trump que liderou, por meses, um bloqueio para impedir que projetos relacionados a tarifas fossem levados ao plenário. Isso terminou na terça-feira, quando três republicanos se juntaram aos democratas para rejeitar outra prorrogação do bloqueio.

O presidente da Câmara argumentou que a Câmara deveria manter a proibição em vigor até que a Suprema Corte decidisse se as tarifas globais impostas por Trump, sob a justificativa de emergência, são legais. Essa decisão pode ser divulgada já em 20 de fevereiro.

O Senado, controlado pelos republicanos, também votou pelo abandono das tarifas impostas por Trump ao Brasil e das taxas globais de emergência, além das tarifas contra o Canadá.

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