Trump responde aiatolá sobre ataque ao Irã desencadear guerra na região: 'descobriremos'

 

Fonte:


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu às declarações do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de que um ataque americano contra o país iria desencadear um grande conflito em todo o Oriente Médio.

O republicano disse a repórter que 'é claro que ele diria isso'. E completou:

'Mas temos os maiores e mais poderosos navios do mundo lá, muito perto, em alguns dias, e esperamos fechar um acordo. Se não fecharmos um acordo, aí descobriremos se ele estava certo ou não'.

Nesse domingo (1), Khamenei afirmou que um ataque dos Estados Unidos desencadearia uma "guerra regional" no Oriente Médio.

A declaração foi dada neste domingo, em meio à forte mobilização militar americana no Golfo Pérsico, que acumula 12 navios de guerra.

Durante os intensos protestos no Irã no início do ano, o presidente Donald Trump fez repetidas ameaças de ataque caso o regime não parasse de matar manifestantes.

Os números oficiais indicam mais de três mil mortos, e um grupo de direitos humanos iraniano, com sede nos Estados Unidos, confirma a morte de mais de seis mil pessoas.

Protestos no Irã

Reprodução/TV Globo

Também neste domingo, parlamentares iranianos vestiram o uniforme da Guarda Revolucionária Islâmica e entoaram cânticos como 'Morte à América', 'Morte a Israel' e 'Vergonha para você, Europa'.

A medida ocorreu três dias após a União Europeia concordar em incluir a Guarda na lista de organizações terroristas por causa da resposta dada aos protestos.

Classificações semelhantes já tinham sido adotadas por Estados Unidos, Canadá e Austrália.

No último sábado, Trump evitou dizer se já havia tomado uma decisão sobre o Irã, e defendeu apenas a necessidade de um acordo para que o país não tenha armas nucleares.

Também no sábado, o comandante do Exército iraniano afirmou que as Forças Armadas do país estão em alerta máximo e "plenamente preparadas".

Irã irá classificar forças da UE como 'terroristas'

Ali Khamenei, líder supremo do Irã.

KHAMENEI.IR / AFP

O Irã prometeu nesta sexta-feira (30) que irá dar uma resposta contra a União Europeia por incluir a Guarda Revolucionária na lista de organizações terroristas. A afirmação foi feita pelo chefe do judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, alertando que os europeus 'sofrerão consequências'.

Em citação feita pela TV estatal iraniana, Ejei chama o caso de um 'ato insensato'.

'Não há dúvida de que a ação hostil dos europeus, que rotularam a Guarda Revolucionária como uma organização terrorista, não ficará sem resposta. Eles sofrerão as consequências de seu ato insensato'.

Depois, Ali Larijani, alto funcionário de segurança iraniano, escreveu na rede social X que o planejamento do Irã é designar as forças da UE também como 'terroristas'.

O governo do Irã avalia possíveis medidas em resposta ao bloco. A informação é da agência de notícias do país Mehr.

Segundo uma fonte do governo afirmou à agência, quatro medidas para possível intervenção governamental estão sendo discutidas e elaboradas.

Uma das propostas transferiria a proteção das missões diplomáticas europeias no Irã da polícia nacional para a Guarda. Outra iniciativa, de acordo com a reportagem, envolveria inspeções especiais de navios comerciais com destino à Europa pela força naval da Guarda Revolucionária.

A reportagem diz ainda que as autoridades estão considerando a expulsão coletiva de adidos militares europeus de Teerã. Uma quarta proposta eliminaria os protocolos especiais de aeroporto para diplomatas europeus e os submeteria a inspeções 'como cidadãos comuns'.

A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (29) que designou, depois de uma reunião envolvendo os ministros das Relações Exteriores, a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista. O anúncio foi feito pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.

'Os ministros das Relações Exteriores da UE acabam de dar o passo decisivo de designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista. Qualquer regime que mata milhares de seus próprios cidadãos está caminhando para a sua própria destruição', diz o texto publicado por ela nas redes sociais.

Mais cedo, Kallas anunciou que o bloco iria incluir a Guarda Revolucionária do Irã na lista de organizações terroristas. Além disso, algumas sanções serão aplicadas por conta da repressão contra manifestantes nos atos de janeiro.

Com essa medida, a Guarda entra no mesmo patamar de grupos como Al-Qaeda, o Hamas e o Daesh, diz Kallas.

'Se você age como terrorista, também deve ser tratado como terrorista', comentou.

Além disso, foram anunciadas sanções contra 15 autoridades iranianas, incluindo altos comandantes e membros da Guarda Revolucionária. Além disso, seis organizações iranianas, incluindo órgãos responsáveis ​​pela monitorização de conteúdo online, também foram sancionadas.

O motivo, de acordo com a UE, é a repressão violenta contra os protestos em todo o país.

Entre os nomes sancionados estão o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, e o procurador-geral Mohammad Movahedi Azad. O juiz iraniano Imam Afshari foi mais um alvo das 'medidas restritivas' que também visaram comandantes e oficiais de alta patente da Guarda Revolucionária Islâmica.

'Todos eles estiveram envolvidos na repressão violenta de protestos pacíficos e na prisão arbitrária de ativistas políticos e defensores dos direitos humanos', afirma um comunicado no site da UE.

O texto ainda diz que as medidas incluem 'congelamento de bens, proibições de viagem para a UE e a proibição de disponibilizar fundos ou recursos econômicos às pessoas listadas'.

A ação vai em conjunto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem ameaçando o governo iraniano e enviou uma armada americana para o Oriente Médio.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

AFP