Trump reconhece que Putin pode estar ajudando o Irã 'um pouco'; europeus criticam EUA por flexibilização de sanções ao petróleo da Rússia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que o homólogo russo, Vladimir Putin, e o Kremlin estejam ajudando o Irã "um pouco" em meio à guerra envolvendo Washington e Israel. O republicano também afirmou que os EUA prestam apoio às forças da Ucrânia nos combates contra a Rússia. As declarações foram dadas nesta sexta-feira, em entrevista à Fox News. Os comentários vêm após a Casa Branca decidir suspender temporariamente as sanções sobre o petróleo russo, em meio à tentativa de Trump de conter a alta dos preços enquanto o conflito entra na terceira semana — medida que provocou críticas de líderes europeus.
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Reportagens da imprensa americana afirmam que a Rússia tem repassado a Teerã informações sobre a localização de forças militares dos EUA, o que poderia ajudar os persas a direcionarem ataques com mísseis e drones em diferentes pontos do Oriente Médio. Na quinta-feira, porém, o enviado especial do governo americano para a região, Steve Witkoff, disse que Moscou assegurou que não está compartilhando dados de inteligência com o governo iraniano.
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Questionado pela Fox sobre a possibilidade de serviços de inteligência russos estarem fornecendo informações ao Irã, Trump respondeu:
— Acho que ele [Putin] pode estar ajudando um pouco, sim. Ele provavelmente acha que estamos ajudando a Ucrânia. Eles fazem isso, e nós fazemos isso.
O Wall Street Journal noticiou na semana passada que as informações compartilhadas incluem as coordenadas de navios e aeronaves militares dos EUA que poderiam ser utilizados como alvos pelos iranianos. A matéria citava autoridades americanas e um ex-oficial da inteligência russa.
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Mesmo que os dados de inteligência dos EUA tenham sido utilizados na guerra na Ucrânia para ajudar Kiev a atingir alvos militares estratégicos e instalações de petróleo e gás, essa cooperação foi suspensa temporariamente em março do ano passado, após reuniões tensas entre autoridades americanas e ucranianas.
Trump já havia minimizado o impacto potencial que a interferência do Kremlin poderia ter no conflito.
— Se estiverem, não estão fazendo um trabalho muito bom — disse Trump a repórteres no Air Force One ena última sexta-feira. — O Irã não está indo muito bem.
Com capacidade limitada de satélites próprios, os iranianos dependem de fontes externas para obter imagens e dados de vigilância. Nesse cenário, informações coletadas por satélites russos poderiam suprir lacunas importantes na inteligência iraniana.
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Trump agora retoma o tema depois que os EUA decidiram suspender temporariamente as sanções ao petróleo russo, na tentativa de conter alta dos preços do petróleo. A Casa Branca emitiu na quinta-feira à noite uma segunda autorização para que outros países adquiram o insumo produzido na Rússia de navios já em alto-mar, antes vetado.
Embora o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tenha inicialmente afirmado que a “medida de curto prazo e estritamente limitada” não proporcionaria “benefício financeiro significativo” a Moscou, ele posteriormente voltou atrás, dizendo à Sky News que era “uma inevitabilidade” e “lamentável”.
O Kremlin, por sua vez, acolheu a medida, com o enviado especial Kirill Dmitriev afirmando em comunicado que “os Estados Unidos estão efetivamente reconhecendo o óbvio: sem o petróleo russo, o mercado global de energia não pode permanecer estável”.
Críticas da Ucrânia e da União Europeia
A decisão dos EUA provocou críticas do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e de líderes da União Europeia nesta sexta-feira. Em visita a Paris para um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, Zelensky afirmou que a decisão pode acabar beneficiando o esforço de guerra russo. Segundo ele, a flexibilização pode gerar até US$ 10 bilhões adicionais para Moscou.
— Essa única flexibilização das relações com os EUA poderia fornecer à Rússia cerca de US$ 10 bilhões para a guerra. Certamente não ajuda a alcançar a paz — alfinetou o líder ucraniano.
Já Macron ponderou que, apesar de ele e aliados não aprovarem o fim das sanções contra a Rússia, as isenções concedidas pelos EUA são "temporárias e limitadas".
Também houve críticas de Bruxelas. Em publicação na rede social X, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que a decisão americana não foi discutida com os parceiros europeus e alertou para os impactos na segurança do continente. Segundo ele, manter a pressão econômica sobre Moscou é essencial para forçar negociações que levem ao fim da guerra na Ucrânia.
"A decisão unilateral dos EUA de suspender as sanções às exportações de petróleo russo é muito preocupante, pois afeta a segurança europeia. A crescente pressão econômica sobre a Rússia é decisiva para que o país aceite negociações sérias por uma paz justa e duradoura", lamentou.
