O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receberá o líder chinês Xi Jinping na próxima semana em Washington para uma visita de Estado marcada pelas negociações comerciais entre as duas maiores economias do mundo e pela disputa em torno de inteligência artificial e outras tecnologias estratégicas.
A informação foi confirmada por autoridades do governo americano a jornalistas nesta sexta-feira (18). Xi chega à região de Washington na quarta-feira (23). Trump irá à Base de Andrews para recebê-lo, onde os dois participarão de uma cerimônia de chegada. De acordo com a imprensa internacional, é raro que o presidente americano receba líderes estrangeiros no aeroporto.
Na quinta-feira (24), Trump e a primeira-dama, Melania Trump, receberão Xi e sua esposa, Peng Liyuan, na Casa Branca. A programação prevê uma cerimônia de chegada, uma cerimônia militar no Rose Garden e uma reunião bilateral. À noite, o casal presidencial oferecerá um jantar de Estado no East Room, no qual Trump e Xi devem discursar.
Na sexta-feira (25), os dois casais devem participar de um chá privado na Casa Branca e visitar os Arquivos Nacionais, onde verão alguns dos principais documentos históricos dos Estados Unidos no ano em que o país celebra seus 250 anos. Depois, Xi seguirá para a Base de Andrews para deixar Washington.
A agenda foi anunciada nesta sexta-feira (18) pela Casa Branca.
O jantar de Estado reunirá alguns dos empresários mais influentes dos EUA. A Casa Branca confirmou as presenças de Jeff Bezos, da Amazon; Elon Musk, da Tesla; Sundar Pichai, da Alphabet (Google); Michael Dell, da Dell Technologies; Jensen Huang, da Nvidia; Sam Altman, da OpenAI; Jane Fraser, do Citigroup; e Tim Cook, da Apple, além de integrantes do governo americano.
A presença de executivos de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo ocorre em um momento em que inteligência artificial ganhou espaço na relação entre Washington e Pequim. Segundo altas autoridades americanas, tanto a IA quanto a atual trégua comercial entre os dois países estarão na agenda da reunião entre Trump e Xi. A trégua expira em novembro.
Antes do encontro presidencial, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, deve se reunir neste fim de semana, em Nova York, com o vice-premiê chinês He Lifeng. As conversas devem envolver inteligência artificial, comércio e terras raras e funcionarão como preparação para a cúpula de quinta-feira.
Segundo uma alta autoridade americana, em conversa com jornalistas nesta sexta, Washington não pretende oferecer um relaxamento dos controles de exportação em troca do fluxo de terras raras chinesas. Os Estados Unidos consideram que esse fornecimento já havia sido negociado anteriormente e que o desempenho da China ficou abaixo do esperado.
Terras raras são usadas em setores como defesa, eletrônicos, veículos elétricos e outras tecnologias avançadas, e a China domina etapas importantes de sua produção e processamento.
Os dois governos também discutem possíveis reduções de tarifas em uma faixa restrita de produtos. Segundo uma autoridade americana, as conversas envolvem bens considerados "não sensíveis e não estratégicos" que poderiam beneficiar os dois lados.
A eventual entrada de empresas chinesas no setor automobilístico americano também apareceu na conversa com jornalistas. Questionada sobre a pressão de fabricantes dos Estados Unidos contra uma maior presença chinesa no mercado, a autoridade afirmou que Trump não pretende comprometer questões de segurança nacional e que as regras e exigências existentes continuariam precisando ser cumpridas por eventuais investidores.
Xi também pode chegar acompanhado por uma delegação de empresários chineses. Washington e Pequim ainda finalizam a composição do grupo, segundo pessoas familiarizadas com as negociações ouvidas pela Reuters.
Entre as empresas consideradas para integrar a delegação estão BYD, CATL e Xiaomi, além de Gotion, Hisense, Wanxiang Group, Bank of China e COFCO Group. A lista ainda não está fechada. Algumas dessas companhias enfrentam escrutínio regulatório nos Estados Unidos.
Valor