Trump recebe Lula na Casa Branca; veja tudo que seja sobre o encontro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira na Casa Branca para uma conversa aguardada há meses pelo Palácio do Planalto. Lula busca na viagem a Washington mostrar força política no momento em que enfrenta maior crise junto ao Congresso do seu terceiro mandato.
O presidente será recebido por Trump pouco mais de uma semana depois de sofrer a maior derrota no Senado, com a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que ocorreu pela primeira vez em um hiato de 132 anos.
Lula deve usar a conversa para que a sua pauta econômica e de segurança pública seja alavancada no Brasil em ano eleitoral, com possível assinatura de acordo de cooperação no combate ao narcotráfico.
Comitiva de Lula
Lula está acompanhado dos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, da Fazenda, Dario Durigan, de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa e de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também integra a comitiva. Lula vai aos EUA especialmente para esse encontro, não está previsto nenhuma agenda fora da Casa Branca.
Risco de armadilhas
Auxiliares de Lula argumentam que o tom amistoso e a simpatia demonstradas por Trump em ligação telefônica no fim da semana passada indicam que não há risco de uma atitude eventualmente hostil ou fora do script por parte do americano no encontro com Lula. A viagem foi combinada nessa conversa, quando Trump sugeriu querer se encontrar pessoalmente Lula. O brasileiro aceitou e se ofereceu para viajar aos Estados Unidos. O americano, então, pediu que auxiliares consultassem quando haveria espaço em sua agenda e a reunião foi marcada já para esta quinta-feira na Casa Branca.
Facções brasileiras
Um dos itens mais relevantes à mesa para o Brasil será a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As autoridades brasileiras temem que a eventual classificação traga riscos à soberania nacional. Em março, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou ao GLOBO que o governo americano considera facções criminosas brasileiras uma ameaça relevante à segurança regional. Como mostrou a colunista Miriam Leitão, o governo tem a expectativa de que seja assinado um acordo de cooperação para o combate ao narcotráfico na conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump.
Tarifaço
Em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de 50% de Trump que atingia produtos brasileiros. Mas, dias depois da decisão, o americano fez questão de reafirmar que seu governo segue investigando o Brasil e a China por supostas práticas comerciais desleais. A apuração americana, feita nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, cita desde o Pix — que seria uma ameaça a bandeiras de cartões de crédito americanas — até a venda de produtos falsificados em comércio popular, além do suposto cerceamento a redes sociais americanas, descontrole de desmatamento ilegal, falta de combate à corrupção e acesso ao mercado de etanol.
Minerais críticos
Os dois presidentes discutirão ainda a exploração de minerais críticos. Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino de minerais críticos. A proposta apresentada por Washington envolve parcerias para garantir o acesso a insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo, com o objetivo de oferecer maior previsibilidade ao mercado e reduzir a volatilidade.
Venezuela
A situação política da Venezuela e o seu impacto para a América do Sul será outro assunto abordado. Lula é um crítico de primeira hora da intervenção militar americana que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos, em 3 de janeiro. A vice de Maduro, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência com o apoio dos Estados Unidos.
Planejamento do encontro
Encontro de Lula e Trump na Casa Branca foi combinado em uma conversa telefônica em janeiro, quando ambos acertaram a visita do brasileiro aos Estados Unidos. A guerra contra o Irã, no entanto, adiou a viagem. O brasileiro tem criticado a ofensiva americana contra o país do Oriente Médio. No começo de fevereiro, Lula chegou a afirmar que a visita a Trump deveria ocorrer na primeira semana de março. Este será o terceiro contato pessoal entre os dois presidentes desde que Trump assumiu seu segundo mandato, e o segundo em solo americano.
Outros encontros
Lula e Trump tiveram um breve encontro, de aproximadamente um minuto, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em setembro do ano passado, logo após o discurso de Lula e imediatamente antes da fala de Trump no evento. Em outubro, a pedido do governo do Brasil, Trump voltou a se encontrar com Lula, dessa vez na Malásia, onde os dois participaram como convidados da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco que reúne economias do Sudeste Asiático.
