Trump: o melhor cabo eleitoral de Lula
ticoE pela segunda vez a dinâmica entre Lula e Donald Trump contribui para a melhora da avaliação e da situação eleitoral de Lula. A primeira vez aconteceu no segundo semestre do ano passsado: a reação ao tarifaço e ao enquadramento de autoridades brasileiras na Lei Magnitisky, seguida da defesa da soberania brasileira por parte do governo, resultou no melhor momento do ano para Lula.
Agora, a pesquisa Quaest mostra uma leve melhora para o petista, com oscilações positivas dentro da margem de erro na avaliação pessoal e do governo e no seu desempenho no primeiro e no segundo turno, depois do mais recente encontro com Trump.
Os dados da Quaest batem com as medições diárias encomendadas pelo Palácio do Planalto, que, no cômputo geral das duas últimas semanas, já mostraram uma recuperação entre 3 e 4 pontos percentuais da aprovação a Lula e sua gestão.
Segundo a Quaest, o presidente recuperou fôlego em todas as faixas de renda e escolaridade, embora continue majoritariamente rejeitado entre os mais ricos e mais escolarizados, voltou a ser aprovado pelas mulheres e colheu oscilações positivas mesmo em grupos que rejeitam seu governo, como evangélicos e eleitores das regiões Sul e Centro-Oeste.
No cenário eleitoral, a melhor notícia para ele é o empate na região Sudeste, considerada o território que vai definir a corrida presidencial. Ele teve uma oscilação negativa na rejeição, enquanto a de Flávio Bolsonaro oscilou para cima. Esse indicador, num quadro de polarização que se acentuou de um mês para outro, também é crucial para analisar as chances de cada um.
Na coluna desta quarta-feira no GLOBO analisei as mais recentes medidas do governo e questionei se haverá tempo para que elas tenham resultados nas urnas. Pelo menos uma delas, o Desenrola 2, desponta na pesquisa como auspiciosa para Lula: 50% aprovam a política, que é elogiada inclusive por bolsonaristas. A ideia de bloquear novas apostas em bets por endividados teve o aval de quase 80% dos entrevistados.
Leia também: Lula acelera medidas: haverá tempo?
Resta saber se o potencial positivo da medida vai se realizar: outras políticas igualmente bem avaliadas, como a reforma do Imposto de Renda, chegaram a ter seu impacto diluído na má fase de Lula no começo do ano.
No noticiário político, o impacto positivo do encontro com Trump superou em muito as más notícias vindas da rejeição de Jorge Messias pelo Senado, tema ignorado por mais de 60% dos entrevistados. O caso Master, que também preocupa a classe política como um todo, é visto como um escândalo que atinge todos os Poderes --e, no caso de Lula, não chega a ser um estigma.
Por fim, a pesquisa da Quaest traz más notícias para nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que não conseguiram melhorar em nada suas performances. Pelo contrário: aumentou o percentual de quem diz que seu voto está definido, o que reduz a possibilidade de busca pela tal terceira via.
Também analisei a pesquisa da Quaest de maio no Viva Voz, meu quadro diário em dois horários na CBN. Você pode ouvir a análise completa abaixo.
