Trump minimiza perspectiva de negociação com o Irã e ameaça houthi no Mar Vermelho

Trump minimiza perspectiva de negociação com o Irã e ameaça houthi no Mar Vermelho

Fonte: Bandeira



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou nesta terça-feira a perspectiva de negociações imediatas com o Irã e minimizou a ameaça feita pelos houthis do Iêmen de interromper a navegação pelo Mar Vermelho.

As declarações foram feitas após o décimo dia consecutivo de ataques entre americanos e iranianos, enquanto os mediadores seguem com os esforços para retomar o diálogo entre as partes.


"Eles estão desesperados para se reunir e, até que estejam prontos para se reunir e, até que estejam prontos para uma reunião realmente significativa, não temos interesse", afirmou Trump ao receber o presidente do Líbano, Joseph Aoun, na Casa Branca.


Trump também prometeu responder caso os houthis, apoiados pelo Irã, interrompam o tráfego no Estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, mas não detalhou como seria a ação americana.

Ao ser questionado sobre o assunto, o presidente afirmou: "Se algo acontecer, nós cuidaremos disso".


O presidente americano também repetiu ameaças de atacar a montanha Pickaxe, uma instalação iraniana que EUA e Israel suspeitam ter sido usada para a construção de um complexo nuclear.


Teerã rejeitou as alegações dos Estados Unidos de que estaria buscando novas negociações.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que o país não abandonará a diplomacia, mas também não será forçado a voltar à mesa de negociações enquanto estiver sob ataque militar.


"As ações do Irã no Estreito de Ormuz e no Golfo Pérsico tiveram consequências globais, e nos tornamos um ator global", disse ele em entrevista publicada em um canal no Telegram, ressaltando como o regime vê o controle de Ormuz como uma fonte de poder de barganha nas negociações com Washington.


Já a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen, rival dos houthis, informou que está adotando medidas para proteger as embarcações na região, enquanto o Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou que o reino tomará todas as medidas necessárias para proteger os navios em conformidade com o direito internacional.


Paquistão e Catar, principais mediadores do conflito, defendem um retorno às posições de Estados Unidos e Irã anteriores a 9 de julho como primeiro passo para reduzir as hostilidades, segundo a agência semioficial iraniana Isna.

O ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, esteve no Paquistão nesta terça-feira, mas ainda não há informações sobre o encontro.


Questionado sobre uma reportagem da Reuters segundo a qual mediadores propuseram um cessar-fogo de dez dias, um funcionário do governo dos EUA afirmou que Trump está atualmente concentrado em punir o Irã pelos ataques a navios no estreito.

Segundo ele, os bombardeios continuarão até que o presidente decida mudar de estratégia, embora os esforços diplomáticos para encerrar a guerra também prossigam.


Os preços da gasolina no varejo nos Estados Unidos voltaram a superar US$ 4 por galão, o que pode prejudicar Trump e o Partido Republicano antes das eleições legislativas de novembro.


Trump afirmou nesta terça-feira, em resposta a uma pergunta, que o Irã "provavelmente" está tentando influenciar a eleição com seus ataques no Estreito de Ormuz.


"Se saíssemos [da guerra] amanhã, teríamos obtido um grande sucesso", disse Trump, reforçando as ameaças à Teerã.

"Mas não vamos sair amanhã."


Joseph Aoun (à esq.), presidente do Líbano, em visita a Donald Trump na Casa Branca

Evelyn Hockstein/Reuters