Trump libera uso de rosquinhas com gordura de bacon para atrair ursos e facilitar caça no Alasca

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O governo de Donald Trump anunciou nesta sexta-feira a retomada do uso de iscas alimentares para atrair ursos e abatê-los a curta distância em determinadas terras públicas federais do Alasca. A medida permite novamente o emprego de alimentos como rosquinhas embebidas em gordura de bacon, doces, restos de carne e peixe, prática proibida pelo governo de Joe Biden em 2024. A nova regulamentação será publicada no Registro Federal na segunda-feira e entrará em vigor 30 dias depois. Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países A decisão reabre uma disputa entre caçadores e organizações de proteção animal sobre os métodos de caça, a gestão da vida selvagem e os riscos de acostumar animais silvestres à presença de alimentos humanos. A regulamentação também altera restrições à caça, à pesca e à captura de animais em parques nacionais e reservas do Alasca. Como funciona a caça com iscas A técnica consiste em deixar alimentos com cheiro forte e alto teor calórico para atrair ursos que podem estar a vários quilômetros de distância. Quando os animais se aproximam das iscas, os caçadores podem abatê-los a curta distância. No Alasca, o método já é permitido em terras estaduais e privadas. Nas áreas federais, que correspondem a cerca de 60% do território do estado, a prática era proibida na maioria das terras abrangidas pela regulamentação. Entre os 33 estados americanos com temporadas de caça ao urso-negro, 12 permitem o uso de alimentos humanos como iscas, sob determinadas condições. Doug Burgum, secretário do Departamento do Interior, ao qual está vinculado o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, afirmou que a mudança leva em conta as posições das autoridades estaduais e dos moradores do Alasca. Em comunicado, Burgum disse que a regulamentação pretende ampliar a participação local nas decisões sobre o território e os animais silvestres, sem abandonar a proteção ambiental.

Segundo ele, a medida "dá aos habitantes do Alasca uma voz mais forte nas decisões que afetam as terras, a vida selvagem e as tradições que conhecem melhor, ao mesmo tempo que garante que o Serviço Nacional de Parques continue protegendo os recursos dos parques para as futuras gerações". A nova regra também defende que a experiência das autoridades estaduais tenha prioridade sobre avaliações de especialistas em vida selvagem consideradas especulativas e sem dados contextualizados. O argumento é de que a experiência operacional acumulada pelo Alasca ao longo de décadas, sem incidentes documentados envolvendo a segurança pública, deve ter maior peso na definição das políticas de caça. Ambientalistas alertam para riscos à população Organizações de proteção animal criticaram a decisão. A principal justificativa é que o uso de alimentos para atrair ursos pode alterar o comportamento dos animais e aumentar os riscos para as pessoas. Kitty Block, presidente da Humane World for Animals, classificou a prática como inaceitável e contestou a justificativa para sua liberação. — Atrair ursos com montes de rosquinhas, restos de carne e ração para cães para levá-los ao alcance dos tiros e abatê-los é indefensável e injustificável como decisão de política federal — afirmou Block. A dirigente também alertou para a possibilidade de os animais passarem a associar a presença humana à oferta de comida. Segundo ela, isso poderia aumentar a ocorrência de encontros perigosos, com risco de ferimentos ou mortes de caminhantes e campistas. A organização informou que avalia as alternativas jurídicas disponíveis e considera contestar a regulamentação em um tribunal federal. W. Laird Hamberlin, diretor-executivo do Safari Club International, organização que defende os interesses dos caçadores, elogiou a iniciativa do governo Trump, embora não tenha se pronunciado especificamente sobre o uso de iscas para atrair ursos. Em comunicado, Hamberlin afirmou: "Essa regra respeita o papel do Alasca na gestão de sua vida selvagem, restabelece a transparência nas interdições federais e elimina restrições sobrepostas a métodos de caça que já são regulamentados pelo estado". Disputa atravessa diferentes governos As regras sobre o uso de iscas para atrair ursos no Alasca passaram por mudanças sucessivas desde o governo de Barack Obama. Em 2015, a administração democrata proibiu a prática nas terras federais abrangidas pela regulamentação. O estado do Alasca e grupos ligados à caça de troféus recorreram à Justiça contra a decisão. Durante o primeiro mandato de Trump, a proibição foi revogada antes que a disputa judicial fosse resolvida. Em 2024, o governo Biden restabeleceu a restrição após consultar especialistas em vida selvagem. Na ocasião, o Serviço Nacional de Parques informou que 28 biólogos haviam sido consultados. Desses, 26 “acreditavam que o uso de iscas levaria os ursos a associar alimentos aos seres humanos”. No primeiro dia de seu retorno à Presidência, em 2025, Trump assinou uma ordem executiva determinando que o Serviço Nacional de Parques reavaliasse a política. A nova regulamentação restabelece a autorização para o uso de iscas nas áreas federais abrangidas pela norma. A Humane World for Animals ainda avalia se contestará a medida na Justiça federal. A regulamentação também não entrou em vigor: isso ocorrerá 30 dias após sua publicação oficial no Registro Federal.

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