Trump faz ameaças ao Irã e diz que vai fazer país 'voltar à Idade da Pedra, onde eles pertencem'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez diversas ameaças ao Irã durante seu discurso televisionado no fim da noite dessa quarta-feira (1). Ele alertou, por exemplo, que os EUA poderiam atingir todas as usinas de energia elétrica do Irã e até insinuou ataques contra a indústria petrolífera do país caso não haja acordo entre Washington e Teerã.
'Se não houver acordo, vamos atacar cada uma de suas usinas de geração de energia elétrica, com muita força e provavelmente simultaneamente. Não atingimos o petróleo deles, embora esse seja o alvo mais fácil de todos, porque isso não lhes daria nem uma pequena chance de sobrevivência ou reconstrução. Mas poderíamos o atingir e ele acabaria, e não haveria nada que eles pudessem fazer a respeito'.
Trump também afirmou que a mudança de regime nunca foi o objetivo dos Estados Unidos no Irã. Porém, defende ele, ela ocorreu por 'morte dos líderes originais'.
Com isso, o presidente americano defendeu que os ataques seguirão por mais algumas semanas e prometeu fazer o país 'voltar à Idade da Pedra'.
'Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas, vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, onde eles pertencem'.
Sem fazer um anúncio objetivo sobre os rumos da guerra, Trump reafirmou que o conflito vai durar mais duas ou três semanas. O presidente americano tem enfrentado uma queda na popularidade com a dos preços do petróleo e da gasolina no mercado americano.
Em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada de sexta-feira a domingo, 60% dos eleitores disseram que desaprovavam a guerra, enquanto 35% a aprovavam. Cerca de 66% dos entrevistados disseram que os Estados Unidos deveriam trabalhar para encerrar rapidamente seu envolvimento na guerra, mesmo que isso signifique não atingir as metas estabelecidas pelo governo.
Ao declarar vitória e dizer que destruiu a capacidade de Teerã realizar um ataque contra o país, Trump minimizou a alta no preço dos combustíveis e afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz interessa mais aos países europeus.
Destruição no Irã após ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Iranian Red Crescent / AFP
O presidente americano disse, porém, que após a guerra a passagem por onde circula 20% da produção mundial de petróleo “vai reabrir naturalmente”.
Donald Trump ainda classificou o novo grupo que assumiu o Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei de “menos radical e mais razoável”.
O republicano fez uma ameaça e disse que, se não houver acordo, irá atingir cada uma das usinas de geração de energia iranianas.
Em resposta ao discurso de Trump, o porta-voz do Comando das Forças Armadas do Irã afirmou que a guerra vai continuar até a rendição e o arrependimento do inimigo.
Irã nega acordo
Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
HAMED JAFARNEJAD/INSA/AFP
Antes do pronunciamento, o Irã negou ter apresentado uma proposta de cessar-fogo na guerra contra os Estados Unidos.
De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, a declaração dada por Donald Trump é 'falsa e sem fundamento'.
O republicano havia afirmado que o país do Oriente Médio fez o pedido de trégua e que a solicitação será aceita se o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desobstruído.
Segundo ele, até lá, o Irã será bombardeado até a 'completa destruição' ou o que chamou de 'volta à Idade da Pedra'.
O Estreito de Ormuz foi fechado no início do conflito. O chefe do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento iraniano afirmou nesta quarta que a rota certamente será reaberta, mas não para os Estados Unidos, e sim 'para aqueles que cumprirem as novas leis do Irã'.
