Trump expressa dúvida sobre possibilidade de acordo de paz com o Irã: 'não sei se estamos dispostos'

 

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou dúvidas sobre a possibilidade de um acordo de paz com o Irã, alertando nesta quinta-feira (26) que pode desistir disso em um futuro próximo.

Segundo o republicano, eles estão 'implorando' para chegar a um acordo.

'Não sei se seremos capazes de fazer isso. Não sei se estamos dispostos a fazer isso', continuou.

As afirmações ocorreram durante uma reunião de gabinete do governo americano. No início, Trump criticou duramente as notícias de que estaria ansioso por uma solução diplomática para a guerra, insistindo que foram os líderes iranianos que buscaram reiniciar as negociações.

'Eles não são tolos. Na verdade, são muito inteligentes, de certa forma', disse Trump, caracterizando os iranianos como 'grandes negociadores'.

Mas ele sugeriu que agora pode ser tarde demais para chegar a um acordo.

'Eles deveriam ter feito isso há quatro semanas', disse Trump.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (26) que os negociadores iranianos eram 'muito diferentes e estranhos' e acrescentou que eles estavam 'implorando' por um acordo, ao mesmo tempo em que alertou Teerã para agir rapidamente.

Segundo o republicano, os iranianos afirmam publicamente que estão apenas 'analisando' a proposta, mas que isso é errado.

Com isso, presidente americano ameaçou os iranianos:

'É melhor eles levarem isso a sério logo, antes que seja tarde demais, porque quando isso acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será nada bonito!'.

Os comentários de Trump surgem em meio a sinais contraditórios sobre possíveis negociações, com o Irã negando publicamente estar negociando com Washington.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou durante um discurso no final da noite dessa quarta-feira (25) no jantar anual de arrecadação de fundos do Comitê Republicano do Congresso, na Union Station, em Washington, que os negociadores iranianos temem ser mortos.

Donald Trump durante jantar anual do Comitê Nacional Republicano do Congresso.

Jim WATSON / AFP

Trump insistiu que o Irã está participando das negociações de paz, sugerindo que as negativas de Teerã se devem ao medo dos negociadores iranianos de serem mortos por seus próprios cidadãos.

'Eles estão negociando e querem fechar um acordo a todo custo. Mas têm medo de dizer isso porque imaginam que serão mortos por seu próprio povo'

No discurso para doadores de campanha do Partido Republicano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir que o poderio militar do Irã foi derrotado.

Nessa quarta (25), o ministro das Relações Exteriores do Irã disse que os Estados Unidos 'reconhecem derrota' ao falar sobre negociações neste momento para um fim do conflito entre os países.

Segundo ele, Teerã não tem a intenção de negociar, mas sim de 'continuar resistindo'.

Washington propôs interromper os ataques e, em troca, o regime se comprometeria a acabar com todo o enriquecimento de urânio e suspender o financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah.

O Irã confirmou ter recebido o plano de paz proposto por Trump, mas o chamou de 'excessivo e desconectado da realidade'. Terminou afirmando que o americano não ditará o fim do conflito. Na contraproposta, o país apresentou, entre as condições para encerrar a guerra, o 'exercício da soberania' do Irã sobre o Estreito de Ormuz e a interrupção total da 'agressão e dos assassinatos'.

O governo iraniano ainda disse que vai encerrar a guerra por decisão própria - e só quando as próprias condições forem atendidas.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que o Irã tenha rejeitado as ofertas de cessar-fogo. Ela reafirmou a fala de Trump, que passou os últimos dias dizendo que os Estados Unidos já venceram a guerra.

Nessa quarta (25), o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a guerra no Oriente Médio saiu do controle e se encaminha para virar um conflito maior e mais espalhado.

Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu falou em expandir a 'zona-tampão', área ocupada pelos israelenses no sul do Líbano.

No campo das negociações, Reino Unido e França vão presidir uma reunião virtual com chefes militares de cerca de 30 países dispostos a abrir o Estreito de Ormuz e formar uma coalizão pela segurança do local. A informação partiu de uma fonte do Ministério da Defesa britânico para a agência France-Presse.