Trump está com uma mão aberta para acordo e outra fechada para atacar Irã, diz assessor

 

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Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (25) o envio de mais tropas para o Oriente Médio, além de três mil militares e outras navios de guerra a caminho da região. Por outro lado, vem negociando, segundo Donald Trump, com o governo iraniano.

Um assessor de Trump afirmou, sob condição de anonimato, ao site de notícias Axios, que o presidente americano está 'com uma mão aberta para um acordo e a outra é um punho cerrado, pronto para te dar um soco na cara'.

Segundo ele, essas ações mostram que Trump está 'falando sério' e é assim 'que se fecha um acordo'.

Segundo o Axios, a Casa Branca enviou mensagens ao Irã lhes assegurando que Trump está falando sério sobre a paz.

O Irã afirma que se recusa a aceitar o cessar-fogo na guerra do Oriente Médio com os Estados Unidos e também considerou 'ilógicas' as tentativas de negociações com partes que 'violaram acordos'.

As afirmações são de uma alta autoridade do governo iraniano para a agência de notícias estatal Fars, sendo noticiada pela Bloomberg.

"Uma fonte bem informada, falando à agência de notícias Fars, apontou para o fracasso do lado oposto em atingir seus objetivos, afirmando: 'O Irã não aceita um cessar-fogo. Fundamentalmente, entrar em um processo desse tipo com aqueles que violaram os acordos não é lógico'", citou o veículo.

Ao mesmo tempo, a Press TV, televisão estatal iraniana, citando um alto funcionário, o Irã defende que 'encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas'.

'As operações defensivas do Irã continuarão até que suas condições sejam atendidas' disse o oficial, descrevendo a proposta dos EUA como 'excessiva'.

O representante oficial apresentou as exigências iranianas em uma contraproposta, incluindo: a suspensão de ataques e assassinatos, garantias contra futuros conflitos, pagamento de indenizações de guerra, fim dos combates em todas as frentes envolvendo grupos aliados e reconhecimento da autoridade do Irã sobre o Estreito de Ormuz.

A agência de notícias Reuters, citando uma fonte sênior iraniana, disse que a resposta inicial do Irã à proposta dos EUA 'não é positiva', mas Teerã ainda está analisando.

Mais cedo, o Irã disse nesta quarta-feira (25) que não negocia e nem negociará com os Estados Unidos porque não é possível confiar na diplomacia americana. A afirmação é do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, primeira grande autoridade do governo iraniano a comentar abertamente sobre o tema.

Ele rejeitou os esforços de mediação, citando a traição à diplomacia quando o Irã foi atacado duas vezes durante negociações nucleares anteriores, antes do início do conflito.

Baghaei disse que o Irã não pode confiar na diplomacia americana e que as forças armadas iranianas estão focadas na defesa do território do país. Ele reconheceu que vários países, incluindo o Paquistão, ofereceram mediação, mas enfatizou que o Irã está sob bombardeio constante.

'Temos uma experiência catastrófica com a diplomacia americana. Fomos atacados duas vezes em um intervalo de nove meses, enquanto estávamos em meio a um processo de negociação para resolver a questão nuclear. Isso foi uma traição à diplomacia – uma expressão agora amplamente usada no Irã – e aconteceu não uma, mas duas vezes. Ninguém pode confiar na diplomacia americana. Nossas bravas forças armadas estão atualmente focadas em defender o território e a soberania do Irã contra esta guerra brutal e ilegal', declarou.

O porta-voz ainda declarou que os ataques militares americanos partiram de bases em países do Golfo Pérsico e que o Irã está exercendo seu direito à autodefesa, conforme o Artigo 51 da Carta da ONU.

Na entrevista, ele também explica que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, é o responsável pela diplomacia externa do Irã.

'O Presidente do Parlamento, Sr. Ghalibaf, é um político de alto escalão que atua dentro dos mandatos e atribuições conferidos pela Constituição. A divisão de trabalho entre nossas autoridades é clara e transparente. No momento, estamos 100% focados em defender a soberania e o território do Irã contra esses ataques brutais'.

Trump assiste diariamente vídeo de dois minutos com bombardeios no Irã, diz TV

Ataque americano a navios iranianos no Oriente Médio.

Reprodução

O resumo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe sobre a guerra do Oriente Médio é, normalmente, uma montagem de dois minutos com os maiores e mais bem-sucedidos ataques americanos contra o Irã.

Em outras ocasiões, ele recebe mais informações, porém a principal fonte são essas montagens diária, de acordo com a rede de TV americana NBC News, citando três funcionários do atual governo e um ex-funcionário.

A situação gera um desconforto entre aliados, que temem que Trump possa não estar tendo uma visão completa da guerra. As autoridades disseram que o briefing em vídeo, em particular, estava aumentando as preocupações de que Trump estivesse recebendo uma visão distorcida do conflito.

Esses vídeos, aliás, estariam alimentando a frustração de Trump com a cobertura jornalística da guerra.

Nas últimas semanas, canais oficiais dos EUA têm sido alvo de críticas por publicarem vídeos editados que misturam ataques e grandes explosões americanas com imagens de videogames e de filmes, ainda mais após a notícia da morte de soldados americanos.