Trump escolhe chefe para agência de dados de emprego após demissão polêmica
O presidente americano Donald Trump afirmou que pretende nomear Brett Matsumoto para chefiar o Bureau of Labor Statistics (BLS, na sigla em inglês), agência responsável pela divulgação dos dados do mercado de trabalho, essenciais para a condução do juro americano. Esta é a segunda escolha de Trump para o cargo, que está vago desde agosto.
“Estou confiante de que Brett tem a expertise para CORRIGIR RAPIDAMENTE o longo histórico de problemas do BLS em nome do povo americano”, disse Trump em uma publicação na rede Truth Social no fim da noite de sexta-feira. O cargo tem mandato de quatro anos e depende de confirmação do Senado.
Matsumoto, que é doutor em economia, ingressou no BLS em 2015 e atua na Divisão de Pesquisa em Preços, Números e Índice. Recentemente, ele esteve licenciado para trabalhar no Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca como economista sênior.
O posto de comissário ficou vago depois que Trump demitiu Erika McEntarfer, após a divulgação de um relatório que mostrou crescimento fraco do emprego. Sem apresentar provas, ele alegou que os números haviam sido manipulados com fins políticos. McEntarfer havia sido nomeada pelo ex-presidente Joe Biden.
Economistas de todo o espectro político, assim como ex-comissários do BLS, contestaram as acusações. William Wiatrowski, veterano de longa data do BLS, vem atuando como comissário interino nesse período.
O comissário do BLS é o único indicado político em uma agência de cerca de dois mil funcionários, que busca ser precisa, transparente e apartidária. A próxima pessoa a ocupar o cargo estará sob pressão para preservar essa imagem, depois que as acusações de Trump alimentaram preocupações sobre a integridade dos dados no futuro.
Como muitas agências estatísticas, o BLS enfrenta há anos dificuldades com orçamentos apertados e restrições de pessoal, problemas que se intensificaram no segundo mandato de Trump. No ano passado, a agência teve de reduzir vários aspectos da coleta de dados por falta de recursos. Além da saída de funcionários de níveis mais baixos, cerca de um terço dos cargos de liderança também está vago.
A divisão do BLS em que Matsumoto atua é voltada a pesquisas de longo prazo, com foco na solução de problemas de mensuração de preços. Matsumoto também publicou diversos artigos acadêmicos, incluindo vários relacionados aos gastos dos consumidores.
Trump havia indicado inicialmente EJ Antoni, da Heritage Foundation, para o cargo, o que gerou críticas tanto de economistas conservadores quanto liberais.
Muitos apontaram suas posições políticas explícitas e outras declarações controversas. A Casa Branca acabou retirando a indicação ao perceber que Antoni não tinha os votos necessários para ser confirmado.
