Trump diz receber com bons olhos investimentos da China e Índia no petróleo da Venezuela
O presidente Donald Trump afirmou que recebe com bons olhos investimentos da China e da Índia na indústria petrolífera da Venezuela.
— A China é bem-vinda para entrar e fará um grande acordo de petróleo — disse Trump a repórteres durante um voo para Mar-a-Lago, na Flórida, a bordo do Air Force One, o avião presidencial americano.
Ele acrescentou que os EUA estão trabalhando com a Índia em um acordo para a compra de petróleo venezuelano. — A Índia está entrando e vai comprar petróleo da Venezuela, em vez de comprá-lo do Irã — disse. — Nós já fechamos o acordo, o conceito desse acordo.
No início desta semana, o presidente interino da Venezuela aprovou mudanças históricas na política nacionalista de petróleo do país, que reduzem impostos e permitem maior participação acionária de empresas estrangeiras do setor, menos de um mês depois de as forças dos EUA terem capturado o líder de longa data Nicolás Maduro.
Pouco depois, o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma licença geral ampliando a capacidade de empresas americanas exportarem, venderem e refinarem petróleo bruto proveniente do país sul-americano sancionado.
Os EUA devem importar o maior volume de petróleo venezuelano em um ano, após o governo Trump se mover para controlar o fornecimento de energia do país e pressionar empresas petrolíferas a investir US$ 100 bilhões na reconstrução da infraestrutura petrolífera venezuelana.
Ainda assim, à medida que os EUA emergem como o maior destino do petróleo venezuelano após a captura de Maduro, os embarques para a China — que tiveram média de 400 mil barris por dia no ano passado — caíram a zero em janeiro, em meio a uma repressão naval dos EUA à chamada “frota fantasma” de navios usada para transportar petróleo sancionado para a China.
A maior parte do petróleo que chega aos EUA vem da Chevron, que possui uma licença americana para vender petróleo venezuelano sancionado. Cerca de 20% está sendo fornecido pelas negociadoras de commodities Trafigura Group e Vitol Group, que foram convocadas pelo governo Trump para ajudar a vender até 50 milhões de barris de petróleo após a queda de Maduro no início de janeiro.
Vitol e Trafigura estão a caminho de movimentar 14 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Grande parte desse volume estava em navios que inicialmente tinham como destino a China e foram carregados antes de janeiro. As negociadoras colocaram cerca de nove milhões de barris desse petróleo em tanques de armazenamento no Caribe, enquanto o restante está sendo enviado aos EUA e à Europa.
