O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que a Venezuela ainda não está pronta para realizar eleições, nove meses após a captura e deposição de Nicolás Maduro por forças americanas em Caracas. Horas depois, Delcy Rodríguez, a presidente interina e não eleita da Venezuela, afirmou que o país só realizará eleições quando estiver pronto. Ela afirmou estar trabalhando "incansavelmente" para garantir as condições necessárias para o processo eleitoral. Leia também: Presidente interina da Venezuela 'rebate' Trump e diz que país manterá controle de seu petróleo após acordo Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp — Haverá um processo eleitoral quando chegar a hora, não tenham dúvidas disso. A Venezuela tem uma Constituição e um sistema democrático estabelecido dentro dela — disse Delcy ao lado do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, que visitou Caracas para formalizar outros acordos sobre hidrocarbonetos.
A presidente enfatizou que, após a captura de Maduro, seu governo interino tem se concentrado em promover a coexistência democrática e em gerenciar a suspensão das sanções financeiras aplicadas à Venezuela. Ela ainda assegurou que seu governo e a Casa Branca estão trabalhando para retirar as sanções de Washington contra o país sul-americano.
— Simplesmente não me parece que eles estejam prontos ainda. Sabe, é algo muito recente. Nós os tiramos de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o governo — disse Trump à repórteres na Casa Branca. — Delcy está fazendo um trabalho muito bom. Nós queremos isso [eleições], eles também, Delcy quer isso. Mas eles não estão prontos. Nenhum dos dois líderes, porém, previram uma data. Mas, também nesta quarta, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que uma nova rodada de negociações entre o governo interino e a oposição na Venezuela será realizada dentro de cerca de 10 dias. No mês passado, o governo de Delcy e a oposição realizaram seu primeiro ciclo de diálogo com vistas a uma transição política. Veja: Magnata venezuelano é apontado como articulador do acordo de Trump para controle do petróleo da Venezuela pelos EUA Esse diálogo, promovido por Washington, ocorreu sete meses após a captura de Maduro. Ao falar sobre a transição política, Rubio afirmou que "não levará tanto tempo quanto na Europa Oriental, mas aquela região precisou de quatro ou cinco anos para concluir sua transição". — Aqui podemos conseguir isso muito mais rapidamente. Estamos trabalhando nisso sem descanso — prosseguiu Rubio. — Mas as eleições democráticas não se resumem simplesmente à realização de um pleito. Com Caracas sob tutela do governo americano, Trump anunciou, na última sexta-feira, que os EUA haviam chegado a um acordo petrolífero com a Venezuela. Na sua plataforma Truth Social, o republicano escreveu que o pacto garante o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, "sem nenhum custo para o contribuinte americano". Com AFP
O Globo