Trump diz que poder militar do Irã 'foi quase todo foi eliminado' e contradiz Rubio: 'Decisão de ataque foi dos EUA'

 

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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que a decisão de lançar uma guerra contra o Irã — a maior no Oriente Médio desde a invasão do Iraque, em 2003 — foi dos EUA, contradizendo seu secretário de Estado, Marco Rubio, que na véspera disse a congressistas que os americanos resolveram agir por causa de Israel. Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Trump disse que o poderio militar iraniano "foi quase todo eliminado" após quatro dias de bombardeio, e que o grande número de mortes de figuras no alto escalão tornam difícil saber quem assumirá o poder.

— Eles não têm Marinha. Ela foi destruída. Eles não têm Força Aérea. Ela foi destruída. Eles não têm [sistemas de] detecção aérea, isso foi destruído. Os radares deles foram destruídos. E praticamente tudo foi destruído — afirmou Trump na Casa Branca, pouco antes da reunião com Merz. — Estamos indo muito bem. Temos um ótimo exército e eles estão fazendo um trabalho fantástico.

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Ao contrário da guerra de 12 dias de junho passado e dos bombardeios que marcaram o final do conflito, EUA e Israel determinaram como um dos objetivos da "Operação Fúria Épica" a destruição das capacidades de ataque e defesa do Irã, sistemas de lançamento e defesa aérea e unidades de produção militar. Bases navais e aéreas também foram bombardeadas, assim como quartéis das Forças Armadas regulares e da Guarda Revolucionária.

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Analistas veem os sistemas de defesa aérea iranianos, já abalados desde junho passado, como virtualmente inoperantes contra bombardeios e ofensivas com aeronaves de combate. Contudo, o país mantém uma capacidade considerável para lançar mísseis, foguetes e drones, atingindo Israel e países da região, incluindo locais usados pelos americanos. Na segunda-feira, a Embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita, foi atingida.

— Incrível, eles estão atacando países que eram, você sabe, vamos chamá-los de neutros, certo? Eles conviveram juntos por muito tempo. Acho que eles foram pegos de surpresa. Eu fui pego de surpresa, e agora esses países estão todos lutando contra eles, e lutando fortemente contra eles — disse o presidente. — Vejam todos os mísseis que eles construíram, muitos já foram destruídos por nós, e muitos já foram utilizados, mas eles tinham milhares de mísseis.

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Aos jornalistas, Trump disse que a decisão de atacar o Irã foi dos EUA, e não de Israel, contradizendo o que seu secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou a líderes congressistas na véspera. Segundo Rubio, o governo israelense estava determinado a atacar "com ou sem os americanos", citando uma ameaça à sua segurança, e os EUA decidiram se unir à ofensiva para defender os interesses no Oriente Médio das retaliações iranianas.

— Eles iriam atacar se não fizéssemos nada, eles atacariam primeiro. Eu tinha certeza disso — disse o presidente. —Se alguma coisa aconteceu, talvez eu tenha forçado a mão de Israel, mas Israel estava preparado, e nós estávamos preparados, e tivemos um impacto muito, muito forte, porque praticamente tudo o que eles tinham foi destruído. Agora, o número de mísseis deles está diminuindo drasticamente.

O premier de Israel, Benjamin Netanyahu, também rejeitou a versão do secretário de Estado.

— Isso é ridículo — respondeu Netanyahu, em entrevista à rede Fox News. — Donald Trump é o líder mais poderoso do mundo. Ele faz o que acha que é o certo para os EUA.

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Nesta terça, Rubio retornará, ao lado de outros membros do Gabinete, como o secretário de Defesa, Pete Hegseth, para defender a guerra diante de senadores e deputados. Nos próximos dias, irá a plenário uma resolução para restringir os poderes de Trump de lançar uma guerra sem o aval do Legislativo, que deve receber votos de membros da oposição, igualmente descontentes com o ataque.

Em uma das raras intervenções na reunião, Merz disse que Berlim e Washington concordam com a derrubada do regime no Irã, e espera que o conflito "termine em breve". Mas o republicano não poupou outros governos europeus que relutam em se juntar aos esforços de guerra ou que criticaram a intervenção, como a Espanha.

— Vamos cortar todas as relações comerciais com a Espanha, não queremos ter nada a ver com a Espanha. Aliás, também não estou nada contente com o Reino Unido — afirmou, em nova crítica ao governo liderado pelo trabalhista Keir Starmer. — Não estamos lidando com Winston Churchill.

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Questionado sobre o futuro do Irã, declarou que o pior cenário seria a chegada de um novo governo "tão ruim quanto o anterior", e que "a maioria das pessoas que tínhamos em mente [para comandar o país] já morreu", sem dar detalhes. Ele chegou a comparar o cenário ao da Venezuela pós-captura de Nicolás Maduro, em janeiro, "quando o regime permaneceu intacto", mas disse que, diante do grande número de mortos nos altos escalões, "provavelmente não conhecemos mais ninguém".

— Agora temos outro grupo, que também pode ter morrido, segundo relatos. Então, teremos uma terceira onda — declarou o presidente.

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Trump eduziu as expectativas de apoiar nomes no exílio para um governo pós-República Islâmica, em especial o herdeiro do último xá, Reza Pahlevi, que vive nos EUA e é uma das figuras mais conhecidas da oposição aos aiatolás.

— Algumas pessoas gostam dele, e não temos pensado muito nisso. Parece-me que alguém de dentro do governo seria mais apropriado — afirmou. — Embora ele pareça uma pessoa muito simpática. [é mais provável que seja] alguém de dentro, que seja popular, se é que existe alguém assim.

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Se dirigindo à população dentro do Irã, pediu que "ainda não saiam" às ruas para pedir a queda do regime, uma vez que "muitas bombas estão sendo lançadas". Trump afirma que um dos objetivos da guerra é criar condições para que os iranianos derrubem a República Islâmica e instaurem um governo democrático escolhido pelo povo, por conta própria.

— Gostaríamos de ver alguém lá que traga o poder de volta para o povo, e veremos o que acontece com o povo — explicou.

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Como vem fazendo há algumas semanas, Trump citou a inimizade de quase 50 anos entre os Estados Unidos e a República Islâmica, a usando como uma de suas justificativas para lançar uma guerra que alguns de seus antecessores planejaram por décadas.

— É uma semente podre. E alguém tinha que fazer isso, e deveria ter sido feito em algum momento durante um período de 47 anos. Porque tantas mortes foram causadas por eles. Tantas mortes inacreditáveis — afirmou, citando eventos como a tomada da Embaixada dos EUA em Teerã, quando 52 americanos ficaram em cativeiro por 444 dias, entre 1979 e 1981. — Quando você olha para todos os problemas, eles foram realmente disseminadores de terror em todo o mundo por muitos e muitos anos. E era algo que precisava ser feito.