Trump diz que operação no Irã pode 'durar muito' ou terminar 'em dois ou três dias'
O presidente americano, Donald Trump, assegurou que a operação coordenada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode "durar muito" ou terminar "em dois ou três dias". Segundo o republicano, existem várias opções de "saída" para a desescalada do conflito após os ataques que tiveram início na manhã deste sábado.
— Posso prolongar o processo e assumir o controle total, ou encerrar tudo em dois ou três dias e dizer aos iranianos: “Nos vemos daqui a alguns anos, se vocês começarem a reconstruir [seu programa nuclear]” — afirmou o presidente americano em entrevista por telefone à Axios. Foi sua primeira declaração após os ataques.
Segundo as Forças Armadas israelenses, o ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã teve centenas de instalações militares e lideranças do regime iraniano entre seus alvos, incluindo o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian.
Segundo Trump, o governo americano acredita que relatos de que o líder supremo do Irã morreu nos ataques contra o país "são verdadeiros". Imagens de satélite capturadas pela Airbus mostram a destruição no complexo da residência oficial do aiatolá na capital Teerã, principal local para receber autoridades de alto escalão, após ataques militares dos Estados Unidos e de Israel realizados nas primeiras horas da manhã deste sábado.
O premier de Israel, Benjamin Netanyahu afirmou haver "muitos indícios” de que Khamenei foi morto no ataque. Em entrevista à ABC News, porém, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que Khamenei e Masoud Pezeshkian, presidente do país, estão "sãos e salvos".
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Na entrevista à Axios, Trump disse que os iranianos “levarão vários anos para se recuperar desse ataque”.
O presidente americano afirmou ter tomado a decisão de autorizar a operação devido à falta de progresso nas negociações nucleares desta semana, lideradas por seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner:
— Os iranianos se aproximaram e depois recuaram, se aproximaram e depois recuaram. Entendi, portanto, que eles não querem realmente um acordo.
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Uma segunda razão para dar o aval ao ataque, disse Trump, foi a conduta do Irã nas últimas décadas. Segundo o presidente, após pedir à sua equipe para compilar todos os ataques conduzidos pelo país nos últimos 25 anos, ele constatou que “todos os meses eles faziam algo ruim, explodiam ou mataram alguém”.
O chefe do Executivo americano também afirmou que o Irã começou a reconstruir algumas das instalações nucleares que os EUA e Israel atingiram durante junho do ano passado. Segundo a Axios, analistas independentes constataram a construção de atividades em algumas das instalações, mas não concluíram que o Irã tenha de fato retomado a atividade nuclear.
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Trump disse ainda ter tido “uma ótima conversa” com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e que ambos estão “na mesma sintonia” sobre os ataques.
Mais cedo, os dois líderes anunciaram que os ataques deste sábado tinham por objetivo não apenas a destruição dos programas nuclear e de mísseis iraniano, mas também a mudança de regime no país — em um momento em que a Revolução Islâmica enfrenta a maior crise interna de seus 47 anos.
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Líderes e autoridades de diversos países reagiram neste sábado aos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irã e à resposta militar de Teerã, que lançou mísseis e drones contra território israelense e bases americanas em outros países da região. Autoridades regionais e de maioria islâmica do Oriente Médio classificaram a resposta iraniana como descalibrada, afirmando que ela fere a integridade territorial de cada um dos países atingidos.
A onda de ataques retaliatórios incluiu bombardeios às bases aéreas americanas de al-Udeid, no Catar, al-Salem, no Kuwait , al-Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos; e a uma base naval no Bahrein. Explosões também foram ouvidas em Riad, capital da Arábia Saudita, e na base aérea de Muwaffaq Al-Salti, na Jordânia. A mídia estatal iraniana mencionou ainda um ataque direto a uma base americana no norte do Iraque.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou "a escalada militar no Oriente Médio" e pediu, em comunicado, "o cessar imediato das hostilidades e a desescalada". A ONU anunciou que o Conselho de Segurança se reunirá neste sábado para discutir o tema.
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