Trump diz que está na 'fase final' sobre Irã: 'ou chegamos a acordo ou tomaremos medidas drásticas'

 

Fonte:


Os Estados Unidos estão 'na fase final da questão iraniana', afirmou nesta quarta-feira (20) o presidente americano, Donald Trump.

Segundo ele, em declaração a repórteres antes de embarcar no avião Air Force One, ou 'chegamos a um acordo, ou teremos que tomar medidas drásticas, mas esperemos que isso não aconteça'.

'Todo mundo diz que estou com pressa por causa das eleições de meio de mandato. Mas não estou com pressa. Prefiro ver algumas pessoas mortas a muitas. Podemos ir para qualquer lado. Mas prefiro ver algumas pessoas mortas', acrescentou.

Na mesma declaração, Trump afirmou que concorda com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em relação à guerra contra o Irã. Segundo ele, o premiê fará 'tudo que eu quiser'.

A declaração foi feita a repórteres em uma base aérea em Maryland, perto de Washington.

'Ele é um primeiro-ministro em tempos de guerra, e eu simplesmente não acho que o tratam bem', acrescentou Trump.

Ele também brincou sobre a possibilidade de se candidatar a primeiro-ministro em Israel. E declarou que está com '99% de aprovação em Israel'.

'Então, talvez depois de fazer isso, eu vá para Israel e me candidate a primeiro-ministro. Fiz uma pesquisa hoje de manhã'.

Trump foi questionado sobre seu relacionamento com o primeiro-ministro israelense depois que o Canal 12 de Israel noticiou que os dois tiveram uma 'longa e dramática conversa telefônica' durante a noite, sem dar mais detalhes.

O presidente afirmou que 'não tinha pressa' em relação a um acordo com o Irã.

Nesta mesma quarta-feira (20), surgiu a informação do jornal israelense Haaretz que as Forças Armadas de Israel foram surpreendidas quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou, que estava 'a apenas uma hora' de decidir se ordenaria novos ataques ao Irã na noite anterior.

O jornal informou que os comandantes das Forças de Defesa de Israel acreditavam que o momento de qualquer retomada das hostilidades 'seria cuidadosamente coordenado com Israel com antecedência'.

A publicação afirmou que autoridades israelenses acreditavam que qualquer retomada dos ataques dos EUA contra o Irã 'poderia levar quase imediatamente ao envolvimento direto de Israel nos combates', acrescentando que era possível que alguns políticos de alto escalão tivessem sido informados, mas a mensagem não foi transmitida aos militares.

Em uma publicação nas redes sociais na noite de segunda-feira, Trump afirmou ter decidido cancelar os ataques ao Irã planejados para terça-feira (19), a pedido de aliados dos EUA no Golfo, que, segundo ele, o informaram que negociações 'sérias' estavam em andamento para um acordo de paz.

Principal negociador iraniano afirma que EUA buscam retomar a guerra

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano.

Reprodução

Os Estados Unidos buscam retomar a guerra e ainda esperam pela rendição do Irã para um acordo de paz. Essa foi a declaração feita pelo principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do país.

Ele afirmou que 'as ações do inimigo, tanto abertas quanto secretas, demonstram que, apesar da pressão econômica e política, ele não abandonou seus objetivos militares e busca iniciar uma nova guerra'.

Em uma mensagem de áudio divulgada pela mídia iraniana, Ghalibaf afirmou ainda que 'o acompanhamento atento da situação nos Estados Unidos reforça a possibilidade de que eles ainda esperem pela rendição da nação iraniana'.

O líder supremo do Irã, Aiatolá Mojtaba Khamenei, elogiou o papel do povo e dos líderes iranianos na resistência aos Estados Unidos e a Israel. A mensagem, publicada nesta quarta-feira (20), relembra os dois anos do aniversário de morte do presidente Ebrahim Raisi em um acidente de helicóptero.

Khamenei afirma que, neste momento, 'testemunhamos os atos heroicos do povo iraniano em sua resistência histórica e sem precedentes contra dois exércitos terroristas globais'.

'Isso torna o dever dos líderes da República Islâmica ainda mais árduo, desde a liderança até os chefes de governo e todos os níveis de liderança', enfatizou.

Portanto, 'agradecer pela bênção da coesão entre o povo, o governo e todas as instituições significa fortalecer a motivação e intensificar o serviço daqueles que estão no comando, abordando os problemas e preocupações do povo, especialmente nas esferas econômica e de subsistência, mantendo uma presença direta no terreno e definindo um papel sério para o povo desperto ao longo do caminho do progresso do país, avançando com esperança rumo a um futuro brilhante', completa o texto.

Nesta semana, um porta-voz do Ministério da Saúde do Irã afirmou que o Líder Supremo Mojtaba Khamenei foi levado ao hospital após o ataque conjunto dos Estados Unidose de Israel e tratado por diversos ferimentos que necessitaram de pontos, inclusive na perna.

Hossein Karmanpour afirmou, segundo o site Iran Internacional, no entanto, que Khamenei não sofreu ferimentos que causassem desfiguração ou perda de membros.

'Mas os ferimentos não eram graves o suficiente para causar mutilação ou amputação. Alguns de nossos colegas decidiram ali mesmo (no hospital) dar alguns pontos na perna dele, dois ou três', declarou.

É a primeira vez que o Irã fala publicamente sobre o estado de saúde de Khamenei, que ainda não fez aparições públicas desde o início da guerra e desde quando assumiu como líder supremo, no lugar de seu pai, Ali Khamenei, morto nos ataques.

As declarações pareciam refutar relatos anteriores de que Mojtaba teria sofrido ferimentos graves durante os ataques em 28 de fevereiro, que mataram seu pai, incluindo ferimentos que exigiram múltiplas cirurgias e uma perna protética.

Do outro lado, os Estados Unidos e Israel afirmaram em algumas ocasiões acreditar que o estado de saúde dele é ruim e que precisou amputar membros, mesmo sem uma comprovação oficial.