Trump diz 'não entender' declarações de mídia iraniana de que negociações não ocorreram
O Irã quer um acordo, que pode ser alcançado em até cinco dias ou menos. É o que afirmou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (23) em entrevista à Fox News.
Ele criticou a mídia iraniana, na qual disse não ter havido qualquer contato com o governo do país, na qual ele comentou em publicação nas redes sociais.
Segundo Trump, as conversas mais recentes ocorreram nesse domingo à noite entre Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do governo americano para o Oriente Médio, e autoridades do governo iraniano.
Já à CNBC, o presidente americano afirmou que vem negociando com 'representantes' do Irã, ao ser questionado sobre as conversas mesmo após as negativas por parte do governo iraniano.
O republicano descreveu os contatos em andamento com o Irã como equivalentes a uma 'mudança de regime'.
A entrevista ocorreu após uma publicação de Trump nas redes sociais, na qual ele afirmava ter ordenado ao Pentágono o adiamento dos ataques às instalações de energia do Irã, após dois dias de negociações 'produtivas'.
Trump afirmou na sexta-feira (20) que os EUA estavam tendo 'dificuldade' em encontrar pessoas com quem dialogar, dizendo. Segundo ele, não havia com quem conversar e o país estava 'gostando disso'.
A CNBC afirmou que Trump disse ter tido 'ótimas reuniões, ótimas conversas e esperança de que, nos próximos 5 dias, algo muito substancial possa ser alcançado para o fim das hostilidades'.
De acordo com o site de bastidores da política americana Axios, as negociações foram realizadas por altos funcionários da Turquia, Egito e Paquistão com o enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira (23) para a agência de notícias estatal Mehr News que há tratativas em curso de países do Golfo para diminuir as tensões com os Estados Unidos, sem explicar muito como elas elas seriam.
A pasta acrescenta que 'nossa resposta é que os EUA devem ser o interlocutor, já que não iniciamos a guerra', defendendo que os pedidos de paz devem 'ser encaminhados a Washington'.
A declaração ainda afirma que as falas de Trump visam diminuir os preços da energia e ganhar tempo para seus planos militares, de acordo com a agência Mehr, em um sinal de que a guerra está longe de terminar.
Anteriormente, a emissora estatal iraniana IRIB afirmou, em seu canal oficial no Telegram, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou o prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo internacional 'por medo da resposta' iraniana.
Em outro texto, é escrito que 'presidente dos EUA recua após firme advertência do Irã'.
Destruição no Irã após ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Iranian Red Crescent / AFP
Já a agência de notícias Fars disse que não há conversas em andamento entre os dois países nem por meio de intermediários, citando autoridades do alto escalão do governo iraniano.
O texto destaca que Trump 'recuou' depois de saber que o Irã atacaria usinas de energia no 'Oeste Asiático'.
A afirmação ocorreu logo após a publicação de Trump na rede social Truth Social em que anunciou ter durante o final de semana conversas com o Irã 'muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio'.
Por conta disso, Trump diz que instruiu ao 'Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento'.
Antes, o Irã ameaçou ataques a usinas de energia na região do Oriente Médio em resposta aos Estados Unidos. Veículos de imprensa iranianos publicaram uma lista dessas instalações sem nenhuma mensagem, no que pareceu ser uma ameaça indireta a países da região.
Entre as usinas está a nuclear dos Emirados Árabes Unidos, de Barakah, que possui quatro reatores nos desertos do oeste do país, perto da fronteira com a Arábia Saudita.
A agência de notícias Mizan, ligada ao judiciário, também publicou a lista.
A ameaça representada por Teerã coloca em risco tanto o fornecimento de energia elétrica quanto o de água nos estados árabes do Golfo, especialmente porque essas nações possuem grandes faixas de deserto e misturam suas usinas de energia com usinas de dessalinização, cruciais para o abastecimento de água potável.
Essa foi a resposta dada pelo Irã ao prazo de 48 horas dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a República Islâmica permitisse a livre circulação de navios no Estreito de Ormuz, prazo que expirava pouco antes das 20h (horário dos EUA) desta segunda-feira (23).
Em um comunicado anterior divulgado pela mídia estatal, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou na segunda-feira a 'decisão de que, se as usinas de energia forem atacadas, o Irã retaliará visando as usinas de energia do regime ocupante e as usinas de energia de países da região que fornecem eletricidade para as bases americanas, bem como as infraestruturas econômicas, industriais e energéticas nas quais os americanos têm participação'.
Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira (23), através da agência de notícias ISNA, o Conselho de Defesa do Irã reiterou que a única maneira de países não beligerantes atravessarem o Estreito de Ormuz é por meio da coordenação com o país.
Os membros defenderam que uma reabertura do estreito acontecerá apenas sob autorização iraniana.
Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
Ahmad Al-Rubaye/AFP
