Trump disse para ex-chefe de polícia nos anos 2000 que sabia dos crimes de Epstein, diz jornal

 

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou para um ex-chefe de polícia de Palm Beach, na Flórida, que investigou Jeffrey Epstein em meados dos anos 2000, que 'todo mundo já sabia que ele estava fazendo isso'. A republicano afirmou que rompeu ligações com o criminoso sexual bem antes de saber dos crimes.

Apesar disso, Trump afirmou para o chefe de polícia Michael Reiter, de acordo com o jornal Miami Herald, que 'ainda bem que vocês estão o detendo'.

O nome de Reiter foi omitido do documento no site do Departamento de Justiça, mas as informações na declaração do FBI coincidem com informações públicas anteriores sobre o papel dele na investigação que começou em 2005.

Os detetives estavam investigando Epstein por supostamente recrutar meninas de até 14 anos de idade para fazer massagens que se tornavam sexuais.

O relatório do FBI sobre a declaração diz que Donald Trump disse ao delegado que expulsou Epstein de seu clube. Depois disso, comentou ao Departamento de Polícia que: ''Graças a Deus vocês o estão detendo, todos sabiam que ele estava fazendo isso'.

A suposta ligação de Trump ocorreu em julho de 2006, por volta da mesma época em que os detalhes da investigação policial se tornaram públicos, de acordo com a ABC News.

As informações sobre a suposta ligação de Trump representam apenas uma pequena parte de um relatório de quatro páginas do FBI que resume o depoimento de Reiter em outubro de 2019, dois meses após a morte de Epstein.

'TRUMP disse a ele que as pessoas em Nova York sabiam que EPSTEIN era repugnante. TRUMP disse que MAXWELL era uma agente de EPSTEIN, 'ela é má e é preciso focar nela'. TRUMP disse a [Reiter] que esteve perto de EPSTEIN uma vez, quando havia adolescentes presentes, e que TRUMP 'saiu correndo de lá'. TRUMP foi uma das primeiras pessoas a ligar quando descobriram que estavam investigando EPSTEIN', diz o relatório.

Após repetidos desentendimentos nos bastidores com os promotores locais, Reiter tornou pública sua insatisfação em 2006 com a decisão do promotor local de levar o caso a um júri popular em vez de acusar Epstein diretamente.

Reiter pediu desculpas às vítimas pela forma como o caso foi conduzido pelo promotor e, em seguida, coordenou com as autoridades federais para iniciar outra investigação sobre Epstein, que acabou resultando no acordo de não persecução penal de Epstein em 2008.

Epstein não administrava rede de tráfico sexual para poderosos e famosos, conclui FBI

Jeffrey Epstein durante entrevista divulgada nos arquivos pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Divulgação/Departamento de Justiça EUA

Apesar das especulações, o FBI concluiu, mostram memorandos nos arquivos dos documentos liberados pelo Departamento de Justiça, que o criminoso sexual Jeffrey Epstein não administrava uma rede de tráfico sexual para poderosos e celebridades.

A informação foi revelada pela agência de notícias Associated Press através de uma análise de documentos do caso. O FBI, agência de espionagem dos EUA, afirmou que não tinham evidências suficientes para realizar as acusações adicionais contra Epstein e qualquer pessoa associada.

Os documentos mostram que a investigação iniciou em 2015, após pais de uma menina de 14 anos dizerem que ela foi abusada na casa do criminoso. São cerca de outros 35 casos parecidos relatados.

No fim, Epstein se declarou culpado em um acordo na Justiça e ficou apenas 18 meses na prisão, saindo em 2009.

Dez anos mais tarde, ele foi preso novamente após mais acusações virem à tona e o caso chegar até a Justiça federal. Ele morreu pouco tempo depois de estar na cadeia.

Os arquivos mostram que o FBI fez uma análise profunda, mas não encontrou evidências ou conexões de Epstein com qualquer uma das pessoas com influência para ser uma rede de tráfico.

'Nenhuma outra vítima descreveu ter sido expressamente direcionada por Maxwell ou Epstein para se envolver em atividades sexuais com outros homens', diz o documento.

A única pessoa que acabou envolvida no caso, além dele próprio, foi sua assistente e companheira, Ghislaine Maxwell, presa em 2021. Ela é acusada de recrutar vítimas.

Segundo o FBI, alguns dos nomes próximos ao criminoso, como o bilionário Les Wexner, chegaram a ser investigados após a prisão. Porém, as evidências de envolvimento eram poucas e bem limitadas.

Supostamente, havia uma lista de clientes que foi compartilhada nas redes sociais. Isso foi dito, inclusive, pela procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi. Porém, os investigadores afirmam nunca terem localizado elas, dias antes da mesma Bondi ter feito a afirmação.