Trump deixa jantar com autoridades e jornalistas em Washington após disparos; veja vídeos e foto do suspeito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado às pressas por agentes do serviço secreto do hotel Washington Hilton na noite deste sábado, após disparos de arma de fogo serem ouvidos durante o jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca, que reunia autoridades políticas e repórteres que acompanham o dia a dia do presidente. Uma operação de emergência foi realizada para retirar autoridades do local, que rapidamente foi tomado por agentes com armas em punho. A Polícia Federal dos EUA (FBI) afirmou que um suspeito está sob custódia, enquanto Trump classificou o homem como "um lobo solitário". Um agente foi alvejado, mas vestia colete à prova de balas.
Entenda: Trump diz que 'atirador' foi preso em Washington; americano foi retirado às pressas de jantar após cinco disparos
Em coletiva de imprensa: Trump diz ter 'impressão' de que atirador 'é um lobo solitário'
Os convidados, incluindo autoridades e jornalistas, haviam entrado no salão de eventos para a noite de gala há cerca de cinco minutos, quando uma agitação foi notada na parte de trás da recepção. Um forte barulho foi ouvido e provocou pânico entre os presentes. Um agente do Serviço Secreto gritou: "Disparos efetuados". Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que Trump é alcançado por agentes de segurança, que retiram ele e a primeira-dama, Melania, sob escolta. Relatos publicados pelas redes CBS e BBC, apontam que agentes armados da Equipe de Contra-Ataque (CAT) foram posicionados no salão com armas longas apontadas para o ambiente.
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Trump se manifestou sobre o incidente, inicialmente por meio das redes sociais, e posteriormente em uma coletiva de imprensa na Casa Branca. Em uma reação inicial, o presidente afirmou que o serviço secreto e as forças policiais "fizeram um trabalho fantástico" e que o "atirador foi detido". Pouco depois, compartilhou a imagem de um homem imobilizado por policiais, sem identificá-lo. O New York Times, citando fontes policiais ouvidas em anonimato, afirmou se tratar de Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, Califórnia.
— A minha impressão é que é um lobo solitário — disse Trump na coletiva de imprensa, na qual também se referiu ao suspeito como "uma pessoa doente". — É sempre chocante quando algo como isso acontece. Já aconteceu outras vezes comigo. Eu ouvi um barulho e achei que tinha caído uma bandeja. Provavelmente eu devia ter abaixado mais rapidamente. Fomos retirados muito rapidamente. O desempenho da polícia foi muito bom. Foi muito rápido.
Trump publicou imagem de homem detido por agentes de segurança após disparos em evento oficial em Washington
Reprodução/Truth Social
Ainda de acordo com Trump, investigadores estavam a caminho da residência do suspeito ainda na noite de sábado. O procurador-geral interino Todd Blanche disse esperar que uma acusação criminal fosse apresentada em breve. Minutos depois, Jeanine Pirro, procuradora federal do Distrito de Columbia, afirmou que o suspeito seria acusado de dois crimes: porte de arma de fogo durante um crime violento e agressão a um agente federal com arma perigosa. A autoridade disse que o réu será apresentado perante o tribunal federal na segunda-feira e que espera que outras acusações sejam feitas posteriormente.
Imagens de câmera de segurança mostram que o homem detido não chegou a passar pelo posto de segurança antes da porta de entrada do salão principal. Agentes de segurança perseguem o homem, que consegue disparar antes de ser imobilizado. Um repórter do Wall Street Journal presente no evento descreveu os protocolos de segurança aos quais os convidados foram submetidos e disse que só era necessário um ingresso de papel para entrar no hotel. Na entrada do salão de baile, havia detectores de metal.
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Testemunhas que presenciaram o momento descrevem a cena com apreensão. O âncora da CNN Wolf Blitzer, disse que estava a poucos metros do confronto e que tiros foram disparados antes que os policiais conseguissem imobilizar o homem. Blitzer descreveu como um policial o agarrou, o derrubou no chão e o protegeu com o próprio corpo. "Eu só vi uma arma grande e ouvi os estrondos", disse.
O chefe de polícia de Washington, Jeffery Carroll, disse que "um indivíduo atacou um posto de controle do Serviço Secreto" armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas. Carroll esclareceu que o suspeito não foi atingido por disparos, mas foi levado a um hospital local para avaliação.
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Enquanto isso, na parte interna do salão, convidados foram pegos de surpresa. Muitos descreveram cenas de desordem e pânico entre os presentes, assustados com a presença dos agentes armados.
"Um agente do Serviço Secreto de smoking me acompanhou até o banheiro masculino momentos antes do início dos tiros no corredor do lado de fora. Ouvimos gritos e o som de pratos quebrando. Saímos correndo do banheiro. Ao virarmos, outros agentes estavam com as armas em punho, apontadas diretamente para nós. Eles começaram a gritar para corrermos pelo corredor e nos abaixarmos", escreveu o jornalista do New York Times Shawn McCreesh, que estava no evento. "Em seguida, os membros do Gabinete foram retirados um a um. Agentes de smoking circulavam pelo enorme Hilton com metralhadoras, olhando para todos os lados".
Trump foi retirado de jantar na Casa Branca durante disparos
Reuters
Entre os presentes estavam Scott Bessent, secretário do Tesouro; Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional; Sean Duffy, secretário de Transportes; Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde; Karoline Leavitt, secretária de Imprensa; Steven Cheung, diretor de Comunicações da Casa Branca; e Kash Patel, diretor do FBI.
Há um paralelo histórico entre o incidente de sábado e o local em que o evento era realizado: o Washington Hilton é o mesmo hotel em frente ao qual tentaram assassinar o presidente Ronald Reagan, também republicano, em 1981. Trump também foi alvo de atentados recentes. Na campanha de 2024, o republicano foi atingido de raspão por um tiro de fuzil na orelha, em Butler, na Pensilvânia. Meses depois, foi retirado às pressas para um local seguro quando um agente federal atirou contra um homem armado em seu clube de golfe na Flórida.
Questionado sobre o motivo de continuar sofrendo atentados durante a coletiva na Casa Branca, Trump sugeriu que "as pessoas que causam o maior impacto", citando o ex-presidente Abraham Lincoln, são as que se tornam alvos.
— Detesto dizer que me sinto honrado com isso, mas já fizemos muito — afirmou.
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O presidente americano foi retirado do local do evento em uma limusine por volta das 21h45 (22h45 em Brasília) e seguiu para a Casa Branca. Imagens do local mostram que a segurança foi reforçada, com homens fardados em patrulha nos jardins da residência oficial.
Enquanto isso, organizadores de algumas das festas pós-evento confirmaram que elas seriam realizadas. A festa da revista Time na residência do embaixador suíço ocorrerá, segundo os organizadores. Richard Hudock, porta-voz da MS NOW, escreveu em uma mensagem de texto que o evento no Dupont Underground também acontecerá.
— Embora o evento desta noite não seja como planejamos originalmente, ainda achamos importante proporcionar um espaço para que amigos e colegas estejam juntos — disse ele. (Com NYT e AFP)
