Trump critica Biden por envio de armas à Ucrânia, mas insiste que EUA têm munições 'ilimitadas' para travar guerras 'para sempre'

 

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Em sua plataforma Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos possuem munições "ilimitadas" para travar guerras "para sempre". Trump também acusou seu antecessor, o ex-presidente Joe Biden, de não ter reabastecido o armazenamento de armas dos EUA, mas insistiu que os estoques "nunca estiveram melhores". A publicação foi feita horas depois de um breve discurso do presidente — que aconteceu durante uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra, na segunda-feira, na Casa Branca —, onde ele afirmou que a operação no Irã deve durar de quatro a cinco semanas, mas pode "prolongá-la por muito mais tempo".

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"Os estoques de munições dos Estados Unidos, em nível médio e médio-alto, nunca estiveram tão altos ou melhores. Temos um suprimento praticamente ilimitado dessas armas”, escreveu Trump no Truth Social. "As guerras podem ser travadas para sempre e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos", acrescentou.

No Salão Oval, durante uma coletiva de imprensa com o chanceler alemão, Friedrich Merz, nesta terça-feira, Trump voltou a criticar o governo Biden por ter entregado "muita munição de alta tecnologia" à Ucrânia, mas reafirmou que "ainda temos uma quantidade enorme".

Os EUA, de fato, forneceram bilhões de dólares em ajuda à Ucrânia desde que a Rússia lançou sua invasão em grande escala em fevereiro de 2022. À época, o então presidente Joe Biden aprovou mais US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões, na cotação atual) em ajuda militar, que fazia parte de um pacote de segurança aprovado às pressas poucos dias antes do início do segundo mandato de Trump.

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"O sonolento Joe Biden gastou todo o seu tempo e o dinheiro do nosso país DANDO tudo para a Ucrânia. Embora tenha doado grande parte desse equipamento de ponta (GRATUITAMENTE!), não se deu ao trabalho de repor", acrescentou o presidente americano. "Os Estados Unidos estão bem equipados e prontos para VENCER, E VENCER COM FORÇA".

Na segunda-feira, em seu primeiro pronunciamento público após os ataques, Trump afirmou que levará "o tempo que for necessário" para destruir as capacidades de mísseis do Irã, aniquilar sua capacidade naval, impedir que o país obtenha armas nucleares e "garantir que o regime não possa continuar a armar, financiar e comandar Exércitos fora de suas fronteiras".

— Temos capacidade para ir muito além disso. Esta era nossa última e melhor chance de atacar e eliminar as ameaças intoleráveis ​​representadas por este regime doentio. Em primeiro lugar, estamos destruindo a capacidade de produção de mísseis. Segundo, estamos aniquilando a Marinha deles, já afundamos 10 navios. Terceiro, estamos garantindo que o maior patrocinador do terrorismo no mundo jamais consiga obter uma arma nuclear — elencou Trump diante da alta cúpula militar dos EUA, na Casa Branca, durante uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra aos veteranos que lutaram nas guerras no Vietnã e no Afeganistão.

Para Trump, os EUA têm "capacidade de prolongar por muito mais tempo" as operações no Irã do que o prazo inicial previsto de quatro a cinco semanas. Mas, de acordo com o presidente, as Forças Armadas estão adiantadas no cronograma.

Estoque de munição

Em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, com bombardeios cruzados e sucessivas ondas de ataques com mísseis e drones, um fator menos visível começa a pesar nas decisões militares: o nível dos estoques de munição. Estados Unidos, Israel e Irã enfrentam, cada um à sua maneira, o desafio do consumo acelerado de armamentos, cenário que pode limitar a duração, intensidade e até os objetivos do conflito. Países do Golfo, como o Catar, também já sentem os efeitos dessa equação.

Após a guerra de 12 dias travada em junho do ano passado, EUA e Israel já haviam registrado redução significativa em seus estoques de interceptadores de mísseis balísticos. O Irã, por sua vez, tenta equilibrar sua capacidade ofensiva com uma estratégia de disparos racionados.

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Antes de Washington disparar o ataque conjunto com Israel contra o Irã, no último sábado, o principal general das Forças Armadas americanas apresentou a Trump os riscos de uma ofensiva ampla e prolongada. Entre eles, um ponto central: o nível dos estoques de munição dos EUA.

Segundo autoridades e analistas ouvidos nos Estados Unidos, o governo corre para enfraquecer rapidamente a capacidade iraniana de lançar mísseis e drones antes que seus próprios interceptadores, usados para neutralizar ataques inimigos, se esgotem.

De acordo com informações divulgadas pelo Wall Street Journal (WSJ), o volume exato desses armamentos é confidencial. No jargão do Pentágono, fala-se em magazine depth, termo que mede quantos disparos um sistema consegue sustentar antes de precisar ser reabastecido. Após anos de confrontos indiretos com o Irã e seus aliados na região, esses estoques vêm sendo gradualmente consumidos.

Desde sábado, forças americanas e aliadas intensificaram bombardeios contra lançadores de mísseis, drones e bases aéreas iranianas. Uma autoridade sênior afirmou que o objetivo do ataque preventivo foi reduzir a capacidade de retaliação de Teerã.

— Um dos desafios é que esses estoques podem acabar rapidamente — afirma Kelly Grieco, do Stimson Center, ao WSJ. — Estamos consumindo esses sistemas mais rápido do que conseguimos repor.