Trump critica acordo nuclear e defende novo pacto mais aprimorado

 

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o tratado de controle de armas nucleares Novo START, que expirou nesta quinta-feira (5), após autoridades americanas e russas não chegaram a um acordo.

Nas redes sociais, Trump escreveu que o pacto evitou guerras nucleares no mundo, mas que ainda assim, não deveria ser renovado. O republicano acrescentou que o tratado foi mal negociado e constantemente violado, e que especialistas nucleares deveriam trabalhar em um novo e aprimorado acordo.

Segundo o site de notícias americano Axios, que ouviu três fontes familiarizadas com o tema, Estados Unidos e Rússia estão negociando a extensão do pacto, mas a minuta do plano ainda precisa de aprovação tanto de Trump quanto do presidente russo Vladimir Putin. O objetivo é que o acordo seja estendido por mais seis meses para novas rodadas de negociações.

As reuniões para uma definição acontecem em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Os enviados do presidente Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, conversam com autoridades russas sobre uma possível extensão do tratado à margem das conversas sobre o conflito na Ucrânia.

Qual a importância do tratado?

O Novo START é uma salvaguarda importante que limita os arsenais nucleares dos dois países que, juntos, detêm cerca de 85% das ogivas nucleares do mundo.

O principal motivo pelo qual a Casa Branca se mostrava cética em relação à prorrogação é que ele não limita as capacidades da China, que possui um arsenal muito menor, porém, em rápido desenvolvimento. O Pentágono estima que Pequim terá mais de mil armas nucleares até 2035, algo que o governo americano considera como um aumento significativo.

O governo chinês lamentou o fim do acordo nuclear entre Estados Unidos e Rússia, mas disse que não participará de conversas para reduzir armas nucleares com os governos Trump e Putin. Segundo os chineses, a estratégia nuclear do país é estritamente de autodefesa. A China afirma que não defende a proliferação nuclear.

Segundo o coordenador do curso de Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, Rodrigo Gallo, a tratativa tem desafios pela frente por envolver dois países que estão em conjunturas políticas internas muito complexas: “os Estados Unidos, neste momento de segundo mandato de Trump, atravessam uma fase marcada por diversos problemas internacionais e por um posicionamento, de certa forma, bastante agressivo em relação a algumas agendas. É preciso lembrar que a Rússia está em guerra com a Ucrânia. Portanto, trata-se de duas potências militarizadas e globais atravessando cenários geopolíticos complexos".

"Esse tratado era bastante importante, pois era considerado por muitos analistas como o último marco de controle de armas nucleares entre esses dois países", completou.

Autoridades e entidades do mundo todo lamentaram o fim do tratado. A União Europeia pediu aos lados envolvidos que exerçam moderação neste momento e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que o fim do New Start representa um grave momento para a paz e a segurança internacional.