Trump corta verba de parque eólico para aldeia indígena no Alasca

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O governo de Donald Trump cancelou em maio de 2025 um repasse de US$ 20 milhões, cerca de R$ 110 milhões, que financiaria um parque eólico na Aldeia Nativa de Kotzebue, no noroeste do Alasca. Mais de um ano depois, o projeto segue parado e a comunidade, acima do Círculo Polar Ártico, queima diesel para produzir 75% da sua eletricidade, segundo a Canary Media.

O combustível consome perto de 20% da renda das famílias da aldeia, mais de três vezes o peso médio da energia no orçamento de lares de baixa renda nos Estados Unidos. Com o parque eólico, a dependência do diesel cairia para algo entre 40% e 50%.

Kotzebue ocupa uma restinga de cascalho sobre a baía de Kotzebue, no extremo noroeste do Alasca. O acesso é apenas por ar e por mar, e o gelo mantém as barcaças de carga longe da cidade na maior parte do ano.

A janela para receber todo o diesel do ano seguinte dura três meses. No inverno, o mar fecha de vez e o combustível estocado é o que garante aquecimento e eletricidade até a temporada de navegação seguinte.

O custo final carrega frete marítimo, armazenamento e seguro, e chega às casas muito acima do preço do barril negociado nos mercados internacionais. Chad Nordlum, gerente de projetos energéticos da Aldeia Nativa de Kotzebue, disse que a comunidade está travada em valores muito superiores aos que pagava antes da guerra contra o Irã.

“Estamos praticamente à mercê dos mercados mundiais”, afirmou. “O que a comunidade pode fazer é produzir a nossa própria energia.”

O parque, segundo Nordlum, daria à aldeia controle sobre decisões energéticas e econômicas hoje atreladas ao volume de combustível que chega pelo mar. O repasse integrava um pacote de US$ 150 milhões para infraestrutura tribal no Alasca, anunciado em 2024.

O corte partiu do Departamento de Eficiência Governamental, órgão criado no início do governo Trump para eliminar gastos federais considerados desperdício. O departamento não divulgou posição específica sobre o projeto de Kotzebue.

Dois relatórios do centro de pesquisa Brookings, divulgados neste ano, calculam em US$ 468 milhões o total retirado de comunidades indígenas pelo departamento. Cerca da metade ia para meio ambiente e recursos naturais, e 11% para agricultura.

A lista inclui planos de resiliência climática, projetos de energia renovável e programas de qualificação profissional. Os relatórios mostram ainda que a lei orçamentária de 2025 desmontou boa parte dos repasses criados pela lei climática de 2022.

Um exemplo é a tribo Hopi, que receberia US$ 25 milhões para instalar painéis solares em 600 casas. O convênio caiu junto com o programa federal de US$ 7 bilhões de energia solar para famílias de baixa renda.

Em Kotzebue, o parque cortaria quase pela metade o volume de diesel comprado a cada ano, e com ele a exposição das famílias às oscilações do mercado. Mais de um ano depois do cancelamento, nenhum substituto foi anunciado para o financiamento.

Rob Maxim, do povo Mashpee Wampanoag e pesquisador do Brookings, disse que as comunidades indígenas sofrem os efeitos do clima de forma mais severa por causa do subinvestimento acumulado. “As ações da administração Trump são particularmente significativas, mas não estão totalmente fora da tendência das administrações anteriores”, afirmou.

“O que queríamos mostrar é que esse subinvestimento é o padrão dos Estados Unidos, e não um desvio”, disse Maxim. O desvio, segundo ele, foi o volume liberado depois da pandemia, mais de US$ 700 milhões em clima, energia e infraestrutura para tribos no governo de Joe Biden.

Os autores pedem regras que assegurem os repasses às tribos independentemente do governo de plantão. O relatório sustenta que o corte fere as obrigações fiduciárias e os tratados firmados entre o governo federal e os povos originários.

Em Kotzebue, o parque eólico continua sem data para sair do papel. A cada ano, a aldeia volta ao mesmo mercado que não controla para comprar o combustível que a mantém acesa.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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