Trump compartilha rascunho de acordo com Irã a aliados enquanto ministro paquistanês viaja aos EUA para reunião com Rubio

Trump compartilha rascunho de acordo com Irã a aliados enquanto ministro paquistanês viaja aos EUA para reunião com Rubio

 

Fonte: Bandeira



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, distribuiu entre aliados, incluindo Israel, um rascunho de acordo para encerrar a guerra com o Irã, horas antes de anunciar que está tomando uma “decisão final” sobre fechar ou não a trégua. O movimento ocorre enquanto ambos os lados do conflito tentam impedir que novas violações do cessar-fogo saiam do controle e inviabilizem qualquer entendimento entre as partes. Também é feito no mesmo dia em que o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, embarca para Washington para se reunir com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em uma tentativa de acelerar as negociações.

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“Vou me reunir agora, na Sala de Situação, para tomar uma decisão final”, escreveu Trump em uma longa publicação nas redes sociais, ressaltando que o Irã deve concordar em nunca possuir armas nucleares e em reabrir as rotas marítimas do Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã declarou que o acordo depende de os EUA abandonarem exigências “excessivas”.

Apesar dos aparentes avanços, Teerã ressaltou mais uma vez que não pretende transferir seu estoque de urânio enriquecido para fora do país. A questão é considerada um dos principais impasses nas tratativas entre os dois. Segundo a agência estatal iraniana Mizan News Agency, que citou a mídia estatal russa, Ebrahim Azizi, chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, afirmou que o Irã “não pretende transferir seu urânio enriquecido para um terceiro país”.

O rascunho compartilhado por Trump entre aliados prevê a reabertura do Estreito de Ormuz à navegação comercial, a suspensão do bloqueio americano aos portos iranianos e o desbloqueio de até US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados. O plano também abriria caminho para negociações de até 60 dias sobre o futuro do programa nuclear do Irã, incluindo discussões sobre o estoque de urânio altamente enriquecido, uma suspensão temporária de novo enriquecimento e supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Irã, porém, tem afirmado repetidamente que não abrirá mão de seu estoque de urânio enriquecido, embora insista que não busca desenvolver armas nucleares. As futuras negociações devem se concentrar nos mais de 400 kg de urânio enriquecido a 60% acumulados por Teerã, material que pode ser usado para fabricar uma bomba. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou na quinta-feira que ainda há “alguns pontos da redação” sendo negociados entre os dois lados e que permanece indefinido se Trump assinará o memorando de entendimento provisório.

Frágil cessar-fogo

Enquanto as conversas continuam nos bastidores, porém, novos confrontos militares vêm testando o cessar-fogo em vigor desde abril. Teerã atacou uma base aérea americana no Kuwait na quinta-feira, após os EUA atingirem o que descreveram como uma operação iraniana de drones próxima ao Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA acusou o Irã de violar o cessar-fogo ao lançar um míssil balístico em direção ao Kuwait horas depois dos ataques americanos a alvos em Bandar Abbas, importante porto e base naval iraniana.

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Segundo autoridades americanas, forças dos EUA derrubaram na quarta-feira quatro drones lançados pelo Irã sobre o Estreito de Ormuz. Os militares americanos afirmaram que os drones ameaçavam forças aéreas e navais americanas na região, além do tráfego marítimo comercial que ainda atravessa a hidrovia, efetivamente bloqueada pelo Irã por meio da ameaça de minas, embarcações armadas, drones e mísseis.

O rascunho do acordo prevê que o transporte comercial no estreito volte aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias. O texto também estabelece navegação sem tarifas na via, embora o Irã tente negociar separadamente com Omã um mecanismo de cobrança por “serviços de navegação”. Trump reagiu ameaçando “explodir” Omã caso o país chegasse a um entendimento com Teerã envolvendo a imposição de taxas.

A Guarda Revolucionária Islâmica reafirmou, em comunicado, que mantém o controle do estreito e disse que 26 navios comerciais e petroleiros receberam autorização para atravessar a hidrovia nas últimas 24 horas. Segundo o órgão, “pedir autorização é obrigatório”, e embarcações que utilizarem outras rotas poderão ser consideradas uma ameaça à segurança.

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No início deste mês, Trump também ameaçou usar força militar para recuperar o urânio enriquecido iraniano caso as negociações fracassassem. Planejadores militares americanos avaliaram cenários para uma operação no complexo nuclear de Isfahan, estimando que ela poderia exigir centenas ou milhares de soldados e provocar elevado número de baixas. Posteriormente, Trump afirmou que o material poderia ser enviado aos EUA, tratado no próprio Irã ou levado a outro local.

Críticas crescentes

As negociações ocorrem em meio a críticas crescentes à condução da política externa de Trump. Em publicação, o presidente afirmou nesta semana que as conversas com o Irã estavam “indo muito bem”, mas advertiu que qualquer coisa abaixo de um “grande acordo” significaria “volta ao campo de batalha e aos tiros, mas maiores e mais fortes do que nunca”.

Segundo o New York Times, autoridades do Pentágono demonstraram perplexidade com as mudanças de direção da Casa Branca. Um alto funcionário da Defesa afirmou que os mais de 50 mil militares americanos destacados para operações ligadas ao Irã permanecem “em suspenso” enquanto Trump alterna entre diplomacia, ameaças e opções militares.

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Dentro dos EUA, aliados favoráveis a uma postura mais agressiva criticaram os termos discutidos com Teerã, argumentando que a reabertura do Estreito de Ormuz e o possível alívio da pressão econômica sobre o Irã podem ocorrer sem compromissos firmes do país para encerrar o enriquecimento de urânio ou entregar material nuclear.

Enquanto isso, autoridades iranianas têm acusado Washington de enviar sinais contraditórios durante as negociações. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, afirmou recentemente que “o lado americano publica muito nas redes sociais, fala muito” e que as mensagens americanas são “às vezes confusas, às vezes contraditórias”. (Com AFP e New York Times)